terça-feira, 15 de março de 2011

DEM quer conquistar a classe C

Por Luiz Carlos Azenha do Viomundo
Os leitores deste site se dividem, ou pelo menos se dividiam, entre aqueles que acreditam que em seus dois mandatos o presidente Lula optou por não politizar o eleitorado, ou seja, fugiu dos embates que poderiam contribuir para tal politização. Teria sido assim, por exemplo,  nos casos da demissão do diretor da ABIN, Paulo Lacerda; da implementação das decisões da Conferência Nacional de Comunicação e do Plano Nacional de Direitos Humanos. Por motivos eleitorais e por não ter maioria sólida no Congresso, Lula teria optado por “comer pelas beiradas”, justificam os lulistas.
Outros dizem que o simples fato de Lula ter promovido ascensão de milhões já mudou a sociedade. Argumentam que isso deu uma nova dimensão social aos beneficiados, que aos poucos passariam a exigir  direitos plenos de cidadania, o que seria em si um grande avanço.
Há, porém, os que apontam para o chamado fator Berlusconi: um eleitorado cujo principal objetivo é consumir quer mais é se afastar de sua origem, descartar suas marcas de nascença (de classe) e ingressar no maravilhoso mundo da Globo e da Veja. Ou seja, à ascensão econômica seguiria uma pretensa ascensão cultural, cuja aparente consequência no Brasil de hoje é a disseminação do country universitário, das siliconadas e dos tatuados, que copiam tudo o que aparece no BBB. A partir daí votar no DEM exige, convenhamos, um pequeno passo.
Por este raciocínio, os filhos dos beneficiários do Bolsa Família seriam os primeiros a negar apoio político ao programa, mimetizando as opiniões da classe média à qual pretendem pertencer de corpo e alma.
Como a negação da política é uma ferramenta muito utilizada pelos que não conseguem ganhar eleições, me parece que a opção do DEM se encaixa perfeitamente neste último raciocínio: a cobrança por “eficiência administrativa” descolada da política.
Vejo, no entanto, alguns problemas na proposta de reencarnação do DEM. Um deles: os esqueletos no armário do partido, que se posicionou oficialmente contra alguns dos projetos sociais de Lula, como o Prouni.
E mais: uma parte razoável dos eleitores de Marina Silva foi de jovens entusiasmados com as propostas dela e descontentes com a “velha política”, na visão deles representada pela dicotomia PT-PSDB. Dificilmente este eleitorado, que é idealista e ligado ao futuro, vai se identificar com grandes líderes da juventude como Agripino Maia.
Finalmente, pelo que leio aqui e ali, a proposta de Dilma Rousseff, de olho em 2014, seria ocupar espaços à direita, deixando os espaços à esquerda por conta de Lula. Se for verdade, o Brasil teria dado mais uma contribuição à Humanidade, além da jabuticaba: um governo de centro-esquerda que governa como se fosse de direita com o objetivo de ganhar eleições em 2014 como se fosse de centro-esquerda. A correlação de forças recomendaria a tática. Deve ser por causa da avassaladora maioria que PSDB e DEM conquistaram no Congresso…
Seja como for, como saímos do campo dos princípios para o eleitoralismo puro e simples — com Kassab se posicionando à esquerda, por exemplo –, acho que o DEM corre o risco de encontrar o caminho para a classe C congestionado.

Urubus americanos sobrevoam a Líbia

Por Rodrigo Vianna


Depois que as revoltas populares no Egito e na Tunísia conseguiram derrubar ditadores instalados no poder há décadas, parecia inevitável que o mesmo ocorresse na Líbia. Gaddafi está há 4 décadas no poder. Nos anos 70 e 80, era apontado como “terrorista”, e teve palácios bombardeados pelos EUA. Nos últimos anos, tinha virado “aliado” do Ocidente (claro, abriu o país para exploração do petróleo por empresas estrangeiras).


Mesmo assim, Europa e EUA enxergaram na revolta popular contra Gaddafi uma chance de tirar do poder um ditador instável e pouco confiável (para os interesses ocidentais). A imprensa ocidental passou a operar em uníssono: a queda de Gaddafi seria uma questão de tempo. O líder líbio ajudou a compor esse quadro de queda iminente, com declarações enlouquecidas – como a de afirmar que seus opositores tinham ingerido “pílulas alucinógenas” enviadas pelo Ocidente.


Quando a Telesur e a Al-Jazeera afirmaram que o quadro na Líbia era diferente de Egito e de Tunísia, porque Gaddafi tinha apoio popular, foram tratadas como emissoras “excêntricas”, pontos fora da curva.


Pois bem: Gaddafi virou o jogo. Conseguiu isso, segundo relatos da velha mídia pró-Ocidente, com base em ataques aéreos e massacres que não teriam poupado nem hospitais. Diante disso, há quem fale na necessidade de interferência armada da OTAN. Hum… Nesse caso, seria necessário intervir a cada ataque israelense contra civis em Gaza. Hum…


A oposição na Líbia agora está circunscrita a Benghazi (cidade a leste de Tripoli). As forças leais ao governo aproximam-se da cidade, e pode ocorrer um banho de sangue. Se OTAN e EUA intervierem agora, podem piorar as coisas: Gaddafi usaria a presença de tropas estrangeiras para acirrar os ânimos nacionalistas.


A questão aqui não é defender Gaddafi ou a oposição, mas deixar claro que a mídia ocidental deixou de ser confiável (isso desde a “parceria” com Bush, para justificar a invasão do Iraque por contas das “armas de destruição em massa” – jamais encontradas, evidentemente).

"Deus-Mercado" e "Capital- Motel"

Por Altamiro Borges


A política de juros estratosféricos e de total libertinagem cambial continua atraindo bilhões de dólares do exterior. Somente nos dois primeiros meses deste ano, até 4 de maço, a entrada líquida de moeda estrangeira (diferença entre ingressos e saídas) foi de US$ 24,356 bilhões, mais que o verificado em todo o ano de 2010 (US$ 24,354 bilhões).


Parte desta grana serve unicamente à especulação financeira – é o chamado “capital-motel”, que ingressa no país atraído pelos juros elevados, aufere rápidos rendimentos e depois desaparece. Outra parte é usada em investimentos de médio e longo prazo, como na aquisição de empresas e de terras. Está um curso um acelerado processo de desnacionalização do campo brasileiro.


Ao sabor do “deus-mercado”


Em 2010, o governo Lula até adotou algumas medidas para conter a gula do capital especulativo, como o aumento da tributação sobre investimento estrangeiro em renda fixa. Na fase recente, o Banco Central também vem comprando dólares, como forma de evitar a valorização artificial do real. Nos últimos dois meses, ele entesourou o equivalente a 44% das aquisições do ano passado.


Estas tímidas medidas, porém, tem impacto quase nulo em decorrência da teimosia ortodoxa do governo nas políticas monetária e cambial, que deixam o país ao sabor do “deus-mercado”. Atraído pelos juros altos e beneficiado pela libertinagem financeira, o capital estrangeiro continua causando estragos no país. A enxurrada de dólares valoriza artificialmente a moeda nacional.


Luz amarela no Palácio do Planalto


O resultado é desastroso. A baixa cotação do dólar torna os produtos estrangeiros mais baratos e incentiva as importações. Na outra ponta, o real forte prejudica a indústria nacional, que perde competitividade no mercado mundial e reduz as exportações. O dólar fraco também favorece viagens ao exterior e o uso do cartão de crédito internacional, abalando as reservas nacionais.


Segundo recente matéria da Folha (11), parece que finalmente o Palácio do Planalto acendeu a luz amarela. Técnicos do BC e do Ministério da Fazenda já teriam preparado medidas mais fortes na área cambial, que aguardam agora o aval da presidenta Dilma. “A equipe econômica chegou a um consenso de que é preciso fazer algo para reduzir o impacto da entrada de dólares no país”.


Queda abrupta do crescimento


É evidente que qualquer iniciativa neste sentido vai esbarrar na gritaria dos rentistas e dos seus agentes na mídia corporativa. A pressão nesta área – feita nos bastidores e com seus recadinhos na imprensa – é violenta. Se o governo Dilma ceder novamente ao “deus-mercado”, os efeitos tendem a ser agravar, com as empresas reduzindo a produção e, como efeito, os empregos.


Os recentes aumentos na taxa de juros, na Selic, e a persistência em manter a libertinagem cambial já provocam forte retração na economia. A taxa de crescimento do país deslizou de 7,5% para 3,5% neste início de 2011. Mesmo assim, os rentistas criticam a “moderação do governo” e exige doses mais cavalares da ortodoxia neoliberal, usando sempre a fantasma das “expectativas inflacionárias”. Será que o governo Dilma Rousseff vai enfrentar a gritaria da ditadura financeira?

Bolsa Família: A base para a erradicação da pobreza extrema

Do Folha
País rico é país sem pobreza
TEREZA CAMPELLO

O plano de erradicação da extrema pobreza terá três eixos: transferência de renda, ampliação de serviços públicos e ações de inclusão produtiva

A nova marca do governo federal demonstra o compromisso da presidente Dilma com a erradicação da pobreza extrema no país. E o primeiro passo nessa direção é o fortalecimento do Programa Bolsa Família, que recebeu significativo aporte de R$ 2,1 bilhões.

Essa medida permite não apenas repor o poder de compra das famílias beneficiárias, com ganho real médio de 8,7% sobre a inflação acumulada de setembro de 2009 a março de 2011, mas, principalmente, concentrar o reajuste na faixa de idade mais vulnerável -entre zero e 15 anos-, que recebeu aumento de 45,5%. A ampliação do valor dado aos jovens entre 16 e 17 anos também foi expressiva, de 15,2%.

Essa determinação torna o programa ainda mais efetivo no combate à pobreza, reforçando os pontos centrais de sua origem: foco nas famílias mais pobres e nas crianças e jovens, parcela da população que apresenta as maiores taxas de pobreza e extrema pobreza.

Hoje, 25% dos beneficiários do Bolsa Família têm até nove anos de idade, e mais de 50% têm idade inferior a 20 anos. O aumento médio de R$ 19 (de R$ 96 para R$ 115) no benefício equivale ao gasto mensal com arroz e feijão de família com quatro membros, por exemplo.

Estudo sobre o perfil dos beneficiários mostra que as famílias direcionam os recursos à compra de alimentos, roupas, remédios e material escolar, dentre outros itens básicos. Garantir mais recursos às famílias pobres tem efeitos positivos na alimentação, saúde e frequência escolar de milhões de crianças e jovens, além de inibir o ingresso precoce no mundo do trabalho.

Assim, manifesta-se uma dimensão estratégica do Bolsa Família: a interrupção do ciclo intergeracional de pobreza. A oferta de educação e saúde é condicionante do programa. O índice de crianças e adolescentes do Bolsa Família fora da escola é 36% menor em relação aos filhos de famílias não atendidas, revela o Inep; a evasão de adolescentes no ensino médio cai à metade, comparada aos jovens não beneficiários.

A progressão escolar também é maior entre as crianças e jovens do Bolsa Família. A desnutrição infantil das crianças menores de cinco anos (período estratégico para o desenvolvimento das capacidades cognitivas) atendidas pelo programa caiu de 12,5% para 4,8%, nos anos de 2003 a 2008.

Além de garantir melhores condições de vida a 50 milhões de brasileiras e brasileiros, o programa ajuda a economia do país.

Cada R$ 1 direcionado ao programa aumenta em R$ 1,44 o PIB. Os beneficiários estão distribuídos por todo o país, mais um instrumento de apoio à redução das desigualdades regionais. Tais números comprovam a importância do Bolsa Família como parte da estratégia do governo de enfrentamento à pobreza.

O plano de erradicação da extrema pobreza terá três eixos: a transferência de renda é um deles. Os outros dois são a ampliação e qualificação dos serviços públicos, com ênfase no acesso, para melhorar as condições de vida dos brasileiros; e as ações de inclusão produtiva, para ampliar as oportunidades. Os três eixos expressam o convencimento de que a pobreza não se reduz ao indicador de renda, mas incorpora a dimensão de bem-estar social.

Finalmente, estamos inovando no modelo de gestão e monitoramente para garantir o cumprimento das metas do plano.

O melhor investimento público é aquele direcionado ao ser humano. Não seremos uma nação capaz de desenvolver todo o seu potencial enquanto persistir a pobreza, entrave ao desenvolvimento econômico e social. País rico é país sem pobreza.

TEREZA CAMPELLO é ministra de Estado do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dilma quer blindar Vale de apetite político

Do Estadão




Antonio Maciel Neto, que dirige a Suzano, é cotado para presidência da mineradora


Vera Rosa - O Estado de S.Paulo


A presidente Dilma Rousseff está convencida de que é preciso trocar o comando da mineradora Vale, mas quer blindar a companhia do apetite político para não causar turbulência no mercado nem impacto nas ações da companhia na Bolsa de Valores. Agora, há um novo executivo cotado para substituir Roger Agnelli na Vale: trata-se do presidente da Suzano Papel e Celulose, Antônio Maciel Neto.


O nome de Maciel, ex-presidente da Ford do Brasil, circula no Palácio do Planalto e também nas negociações com os acionistas, mas o governo sabe que a substituição não será uma operação fácil. Agnelli não quer sair e a Vale está em boa situação: é líder mundial na produção de minério de ferro e, no ano passado, atingiu o segundo maior lucro da história entre as empresas de capital aberto (R$ 30,1 bilhões), só perdendo para a Petrobrás.


Desde o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, a avaliação no Planalto é a de que Agnelli privilegia as exportações em detrimento da indústria nacional. Recusa-se a investir, por exemplo, em produto com valor agregado, fazendo com que o Brasil exporte minério de ferro para a China e seja obrigado a importar trilhos chineses para as ferrovias.


É por isso que Dilma, a exemplo de Lula, gostaria de ver um perfil diferente no comando da empresa: alguém que seguisse a estratégia de desenvolvimento para o País ditada pelo Planalto, como faz a Petrobrás, mesmo que a Vale seja empresa privada.


Influência. A eleição do Conselho de Administração da Vale está marcada para maio e nenhum sócio controlador da empresa, privatizada em 1997, tem preferência na escolha do presidente. Mesmo assim, o governo exerce papel importante, já que os fundos de pensão das estatais - Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, Funcef (Caixa Econômica Federal) e Petros, dos servidores da Petrobrás - detêm 49% das ações.


Na tentativa de despolitizar a sucessão na Vale, Dilma incumbiu o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, de tratar do assunto. O BNDESPar, braço de participação do banco, integra a lista de sócios controladores da mineradora.


Na prática, Dilma não quer expor a Vale no momento em que uma nova polêmica vem à tona: o Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) cobra da companhia uma dívida de quase R$ 4 bilhões referente ao pagamento a menor dos royalties da mineração a cidades de Minas Gerais, Pará e Bahia. A Vale contesta o valor da dívida, mas a presidente disse que a empresa terá de pagar os royalties.


"Precisamos acabar com essa história de capitania hereditária na área mineral", resume o senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos. "Quer queiram ou não, devemos ter uma nova regulamentação do setor, um novo código."


Comunicado. Em janeiro, preocupada com suas ações na bolsa, a Vale divulgou comunicado ao mercado negando a substituição de Agnelli, que está no comando desde 2001. Os rumores sobre a dança de cadeiras, porém, nunca cessaram. Com fama de "consertador" de empresas, Maciel Neto conta agora com a simpatia de Luciano Coutinho e de ministros com assento no Planalto.


Engenheiro mecânico, o presidente da Suzano Papel e Celulose trabalhou dez anos na Petrobrás e foi secretário-executivo do Ministério da Indústria e Comércio no governo Collor. Outros nomes já foram citados antes dele para substituir Agnelli, mas todos esbarraram em algum empecilho.


Na lista estão Rossano Maranhão, presidente do Banco Safra - convidado para assumir a nova Secretaria da Aviação Civil -, Fábio Barbosa (Santander), Octávio Azevedo (Andrade Gutierrez) e Wilson Brumer (Usiminas). Atualmente, Maciel Neto é visto pelo Planalto como o homem que pode ser a solução na Vale. Até maio, no entanto, muita coisa pode acontecer

Um partido de Direita....direito.

Por Chato Feliz


Independentemente de não concordar com idéias como "estado mínimo", e de obviamente não engolir falácias como "...A segunda é a identificação da direita com a ditadura, o que não faz sentido...", acho extremamente válido. Há muitas pessoas por aí, tão brasileiros quanto qualquer beneficiário do bolsa família ou industrial bem sucedido, que pensam como eles, e que tem tanto direito quanto qualquer um de expor suas opiniões e ter representação política. Penso inclusive que o país vai precisar no futuro próximo revisitar idéias historicamente defendidas por direitas (como aumento da eficiência do estado, redução da carga tributária, etc...), e é importante que existam partidos sérios e competentes para defendê-las, o que hoje não acontece.


É importante o surgimento de figuras políticas genuinamente nacionalistas e genuinamente de direita, o que não temos hoje, e que talvez só tivemos durante alguns períodos da ditadura. É impotante abrir espaço para o surgimento de políticos que defendam por exemplo o interesse das grandes empresas privadas nacionais, que defendam sua plena integração no processo de desenvolvimento do país. É importante que um fulano como o Eike por exemplo, que tem demonstrado um apetite enorme para investimentos no seu próprio país, se sinta politicamente representado, que olhe pros partidos de direita e encontre políticos que atuem de forma oposta à que atuou por exemplo o serra durante o período eleitoral, conforme exposto pelo Wikileaks, com encontros e entendimentos espúrios com multinacionais americanas do petróleo em detrimento de empresas nacionais do mesmo setor como as suas.


Era importante por exemplo haver neste momento um partido de direita com eco no povo que pudesse gritar e ser ouvido "a política cambial tem que mudar, está matando o setor manufatureiro", defendendo portanto mais do que qualquer serra ou fhc pontos que são certamente do interesse da fiesp, fiemg, etc... Era importante por exemplo um partido de direita com eco no povo que fizesse coro com os militares nesse momento ao reclamar do absurdo sucateamento vivido a décadas no nosso exército, a apresentar o problema, propor soluções. Era importante um partido que queira sim discutir privatizações, mas que o faça com responsabilidade para com o país, sabendo discutir quais setores estão de fato a sobrecarregar o estado, como substituí-los sem perda de acesso às pessoas que dependem desse serviço (muito diferentemente do que tem sido feito pela nossa "direita" por exemplo com a explosão das "universidades" particulares), como fazê-lo de forma a garantir que o mesmo serviço não perca qualidade, como regulá-los apropriadamente (muito diferente do que aconteceu com a telefonia móvel, hoje das mais caras e ineficientes do mundo), como fazê-lo de forma a garantir que seu lucro continue no país, gerando riqueza e investimento no país, de uma forma ou de outra (muito diferente, novamente, do que temos hoje na telefonia móvel).


Eu não teria nenhum problema em votar em um partido assim.


PS: acho que o título é injusto, desmerecendo algo que não necessariamente é ruim. Pelo que está escrito, parece ser algo muito diferente da babaquice do "cansei" e afins, e merece portanto mais atenção e, porque não, respeito.

Nova era da Política Brasileira

Por Luis Nassif


Rapidamente vai se esboçando o novo tempo na política brasileira.


Há ainda pólvora no ar, resquícios da campanha eleitoral mais suja da história. Há setores que ganharam proeminência com a radicalização e não querem abrir mão do espaço conquistado. É muito mais um estado de espírito latentes do que radicalismo institucionalizado.


Institucionalmente, caminha-se para um novo arranjo, preparando a era pós-Lula.


Com exceção do inacreditável O Globo, os jornais deixaram de lado a extrema parcialidade e a briga com os fatos que caracterizaram os últimos anos. A operação detente de Dilma ajudou a baixar a fervura.


Toda a guerra contra Lula se baseava em questões pontuais, a maior parte irrelevante, a regulação da mídia – dramatizada pelos jornalões como ameaça à liberdade de imprensa -temas da guerra fria, Irã, enfrentamentos verbais, baboseiras em relação à suposta influência de Chávez e de Cuba, um discurso pré-64 requentado.


Todo esse conjunto de críticas espelhava uma realidade tão vaga e distante, que bastaram o fim das eleições e os primeiros acenos de Dilma para esvaziá-lo.


O desarmamento de espíritos, ainda que apenas provisório, fechou um ciclo. Agora se inicia outro, ainda incipiente, com os primeiros movimentos ainda não permitindo avaliar o desenho final.


Do lado do governo, Dilma Rousseff e uma frente ampla de centro-esquerda. Do lado da oposição, Geraldo Alckmin, em São Paulo, Aécio Neves, no Brasil, assumem virtualmente o controle do PSDB. Correndo por fora, a estrela de Eduardo Campos, do PSB.


O DEM patina, nem sei se sobreviverá. Mas as teses em pauta mostram uma visão de futuro impensável antes do fim da era FHC-Serra.


Até então, a oposição estava presa à herança de FHC, que deveria ter sido enterrada nas eleições para governador em 2008. Acabou sobrevivendo como um ectoplasma solto no ar por falta de visão de futuro dos chefes da oposição – especialmente José Serra e Aécio Neves – e apego ao passado do seu único ideólogo FHC. Aliás, seria demais exigir de FHC que enterrasse sua própria obra.


Libertos desse passado, a análise dos caciques do DEM é a de que a inclusão social criou uma nova classe média. Não adianta pretender disputar essa nova classe, hoje, ainda mais com a lembrança de Lula viva no imaginário popular. Mas daqui a alguns anos essa nova classe estará estabilizada, parte dela com anseios de crescer mais e, por isso mesmo, tendendo a uma posição mais conservadora.


A disputa por ela se dará lá na frente, mas os preparativos devem ser desde já. Tanto a ação do governo Dilma quanto a da oposição terá que ser pautada pela expectativa de disputa do novo eleitorado – mas imaginando a cabeça que tiver daqui a quatro ou oito anos – e a preservação do espaço junto ao eleitorado convencional.


Provavelmente o DEM não viverá para assistir a esse futuro. Mas essa bandeira estará disponível para o partido que se oferecer para ocupar esse espaço.


Mais importante que os partidos são os temas da futura disputa. O enfoque básico passa a ser o atendimento das demandas da população. Para tanto, os partidos precisarão ser programáticos, ter idéias claras, não os arremedos de propostas apresentados nas últimas eleições.


Gradativamente, o país começa a se livrar da maior ameaça que enfrentou para conquistar o futuro: a radicalização eleitoral. E começa a desenhar uma oposição, fundamental para o próprio equilíbrio nas ações de governo.


Haverá novas guerras pela frente. Mas em cima de uma base institucional mais madura, mais nítida e mais flexível - permitindo uma distribuição mais clara das tendências políticas pelos diversos partidos.

domingo, 13 de março de 2011

Ética, Política e Moral

Por ANTONIO OZAÍ DA SILVA - Docente na UEM e doutor em Educação pela Universidade de S. Paulo 

Ética na Política? Da sagrada ingenuidade dos céticos ao realismo maquiavélico 

Até que ponto a política é compatível com a ética? A política pode ser eficiente se incorporar a ética? Não seria puro moralismo exigir que a política considere os valores éticos? 

Quando se trata da relação entre ética e política não há respostas fáceis. Há mesmo quem considere que esta é uma falsa questão, em outras palavras, que ética e política são como a água e o vinho: não se misturam. Quem pensa assim, adota uma postura que nega qualquer vínculo da política com a moral: os fins justificam os meios. 

O ‘realismo político’, ou seja, a busca de resultados a qualquer preço, subtrai os atos políticos à qualquer avaliação moral, entendendo esta como restrita à vida privada, dissociando o indivíduo do coletivo. 

Esta concepção sobre a relação ética e política desconsidera que a moral também é um fator social e como tal não pode se restringir ao santuário da consciência dos indivíduos. Em outras palavras, embora a moral se manifeste pelo comportamento do indivíduo, ela expressa uma exigência da sociedade (um exemplo disso é a adoção dos diversos "códigos de ética"). Ou seja, não leva em conta que a política nega ou afirma certa moral e que, em última instância, a política também é avaliada pelo comportamento e entendimento moral das pessoas. Aliás, se a política almeja legitimidade não pode, entre outros fatores, dispensar o consenso dos cidadãos — o que pressupõe o apelo à moral. 

Há também os que, ingenuamente ou não, adotam critérios moralizantes para julgar os atos políticos. Por conseguinte, condicionam a política á pureza abstrata reservada ao ‘sagrado’ espaço da consciência individual. Estes imaginam poder realizar a política apenas pelos meios puros. 

O moralismo abstrato concentra a atenção na esfera da vida privada, do indivíduo. Portanto, aprisiona a política à moral intimista e subjetiva deste. Ao centrar a atenção na esfera individual, o moralista julga o governante tão-somente por suas virtudes e vícios, enfatizando suas esperanças na transformação moral dos indivíduos. 

Ao agir assim reduz um problema de teor social e coletivo a um problema individual. No limite, chega à conclusão de que as questões sociais podem ser solucionadas se convencermos os indivíduos isoladamente a contribuírem, por exemplo, dividindo sua riqueza como os desafortunados. 

O resultado é catastrófico: o moralista angustia-se porque a política não se enquadra nos seus valores morais individuais e termina por renunciar à própria ação política. Dessa forma, contribui objetivamente para que prevaleça outra política. 

De um lado o ‘realismo político’; de outro, o moralismo absoluto. Nem tanto mar, nem tanto terra. A política e a moral, embora expressem esferas de ação e de comportamento humano específicas e distintas, são igualmente importantes para a ação humana no sentido da transformação social. 

Política e moral são formas de comportamento que não se identificam (a primeira enfatiza o coletivo; a segunda o indivíduo). Nem a política pode absorver a moral, nem esta pode ser reduzida à política. Embora sejam esferas diferentes, há a necessidade de uma relação mútua que não anule as características particulares de cada uma. Portanto, nem a renúncia à política em nome da moral; nem a exclusão absoluta da política.

A inflação e a financeirização da fome

Por Luiz Gonzaga Belluzzo


Depois do crash de 1929, o Glass-Steagal Act proibiu o envolvimento direto dos bancos comerciais em operações nos mercados de capitais, mercados imobiliários e na especulação nos mercados de alta volatilidade, como é o caso das commodities. Nos últimos 30 anos, a desregulamentação e a liberalização da finança quebraram as barreiras impostas pelas reformas dos anos 30 do século passado, criaram os supermercados financeiros e promoveram a securitização dos créditos. Na verdade, as inovações financeiras alteraram as relações entre bancos de depósito, bancos de investimento e outras instituições financeiras que se aproximaram das funções cumpridas pelos bancos comerciais. Ao mesmo tempo, estes passaram a executar funções próprias dos bancos de investimento, ao criar os SIVS (Special Investment Vehicles) para carregar os papéis lastreados nas operações de crédito, não só os hipotecários. 

Entre outras consequências, as transformações impulsionaram a securitização dos créditos, estimularam a “alavancagem” (palavra horrível) abusiva - ou seja, a utilização do crédito barato para sustentar a posse de ativos em desproporção perigosa com o capital próprio. Na maioria dos casos, antes da crise, a relação era de 30 para 1. Não espanta que tais procedimentos da alta finança tenham promovido o inchaço das operações com derivativos nos mercados futuros de juros, câmbio, matérias-primas e alimentos. No vendaval das reformas neo-liberais, os governos abandonaram as políticas de estabilização de preços baseadas na formação e operação de estoques reguladores (ainda que os países desenvolvidos tivessem mantidos os subsídios a seus agricultores) e submeteram os mercados de commodities, instáveis por sua própria natureza, ao capricho e à sanha especulativa dos mercados futuros.

O Federal Reserve o Tesouro americano deixou correr a farra da alavancagem e o festival da multiplicação de securities lastreadas em empréstimos hipotecários. Essa música tambem embalava a especulação altista com estoques de matérias-primas e alimentos, cuja oferta responde lentamente a um aumento de preços. Às vésperas da crise de 2007-2008, os principais índices de preços das commodities mostravam uma aceleração impressionante. 

Nos últimos anos, com o auxílio inestimável dos trabalhadores chineses e do Banco Central da China, a rápida queda de preços do produtos manufaturados ajudou os bancos centrais dos paíse desenvolvidos a conseguiram manter a inflação sob controle. Mas o “sucesso” das políticas de metas de inflação não impediu, senão incitou a recorrência de ciclos exuberantes de valorização dos ativos. A concorrência entre os possuidores de riqueza, associada ao crédito elástico e à crença nas intervenções de última instância dos bancos centrais, estimularam o surgimento de episódios especulativos. 

O colapso do Lehman Brothers em setembro de 2008, cozido e fervido nos temperos e pruridos ideológicos de Paulson e Bernanke, interrompeu o ciclo de inflação de ativos. Os preços das commodities, aí incluído o petróleo, despencaram. Nesse momento, a corrida dos investidores para a “qualidade” suscitou a valorização do dólar e provocou surtos de desvalorização nas moedas dos países produtores de commodities, sem qualquer efeito sobre a inflação nos emergentes. Isto porque o choque da desvalorização foi compensado pelo colapso dos preços dos produtos básicos. 

A vacilada deflagrou as vendas de securities nos fundos mútuos e de hedge administrados por bancos de investimento que financiavam a posse desses ativos tomando recursos nos mercados monetários atacadistas (semelhantes aos fundos DI de curtro prazo no Brasil). As aplicações nesses mercados sustentavam posições alavancadas em ativos originados nos empréstimos hipotecários e outras operações de crédito securitizadas. 

A clientela cuidou de retirar os depósitos das instituições menores para concentrar o rico dinheirinho nos títulos do governo americano, vistos com derradeiro refúgio da riqueza líquida das empresas e das famílias endinheiradas. Diante do encolhimento da confiança, os bancos tornaram mais rigorosos os critérios de concessão do crédito no mercado interbancário e, assim, fizeram periclitar instituições ilíquidas, mas solventes. Em situações como a aquela, passar da iliquidez à insolvência é um passo. 

Mas, os bancos centrais e as autoridades do Tesouro - imprudentes e cúmplices da especulação - não poderiam deixar a vaca ir para o brejo. Foram compelidos a intervir na cadeia de interrelações entre as instituições para domar a mula sem cabeça dos mercados infectados pela desconfiança. Deixar o bicho à solta seria grave irresponsabilidade. Nos países centrais, a crise de liquidez transformou-se numa crise de crédito, depois transfigurada num festival de insolvências, contida pela intervenção generosa das autoridades 

As generosas injeções de liquidez e os programas de compra de ativos podres não fizeram pouco. Ademais de construir um piso para a deflação de ativos, as intervenções suscitaram um movimento global no interior da circulação financeira. Os movimentos observados no interior da circulação financeira, em si mesmos, não prometem à economia global uma saída rápida da trajetória medíocre, mas indicam que os mercados de ativos começam a se restabelecer da derrocada de 2008.

Trata-se, na verdade de um rearranjo dentro do estoque de riqueza que responde aos preços esperados dos ativos, por parte dos investidores que lograram vencer o colapso da liquidez. Salvos das perdas e capturados os benefícios oferecidos pelas autoridades, os investidores eles se mobilizam para a realocação de carteiras. Esse movimento favoreceu a forte recuperação as bolsas, a valorização das moedas dos emergentes e o “aquecimento” dos mercados de commodities. O dólar devolve a valorização observada nos primeiros meses de crise e com isso ajuda a explosão dos preços das matérias-primas e alimentos. 

Semanas atrás, escreví no jornal Valor que, em sua coluna no New York Times, Paul Krugman jogou a responsabilidade do aumento de preços às condições climáticas. Sem dúvida, as secas e enchentes em áreas de excelência na produção de alimentos desempenham um papel importante na contração da oferta de muitos produtos, dentre ele o trigo, o nosso pão de cada dia. Krugman, no entanto, rejeitou as hipóteses que, além dos fatores climáticos e do aumento da demanda de alimentos e de outras matérias primas nos emergentes, apontavam a expansão da liquidez global e suas taxas de juro ínfimas que botam fogo na especulação com as mercadorias transfiguradas em ativos. Krugman, assustado com os falcões da austeridade fiscal e monetária que rondam sinistramente a convalescente economia americana, chuta para escanteio a hipótese das “distorções” causadas pelas políticas anticíclicas e pelos derivativos na volatilidade e na elevação dos preços.

Os adversários da crítica ao papel dos derivativos afirmam que os operadores financeiros não intervêm diretamente nos “ativos subjacentes” negociados nos mercados a termo, ou seja, nos mercados físicos de matéria primas. Sustentam que o volume de transações nos mercados a termo é muito superior àquele transacionado nos mercados à vista, com fracas interações entre eles.

O economista Michel Aglietta argumenta que essa visão parte de uma interpretação errônea da transmissão do movimento de preços entre os mercados de derivativos de matérias-primas e os mercados “físicos”. O ponto de vista dos defensores da escassez tem alguns elos fracos: 1) a estrutura de mercado dos produtos agrícolas é fortemente concentrada, governada por monopólios e monopsônios com enorme poder de administrar preços e quantidades. Portanto, se um mercado está em “desequilíbrio” por conta de um choque de oferta, o movimento inicial é amplificado pela formação de posições à termo “compradas” pelos caçadores de tendências. A transmissão para os mercados á vista é efetuada através das grandes empresas que tratam de acumular estoques tão logo antecipam a alta de preços deflagrada nos mercados a termo. 

O G 20 se reúne em Paris assombrado pelo espectro da estagflação, fenômeno que os economistas e policy makers imaginavam ter sepultado no início dos anos 80 do século passado, sob o peso das taxas de juros de Paul Volker. O presidente Sarkozy propõe um arranjo internacional, com formação de estoques reguladores administrados por produtores e consumidores para estabilizar os preços das commodities.

Seria conveniente lembra que, na posteridade da 2ª Guerra Mundial Keynes sugeriu a constituição de um comitê internacional encarregado de estabilizar os preços das matérias primas e alimentos. Esse comitê, composto por países produtores e consumidores, teria o apoio da Clearing Union, o sistema público de financiamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos, envolvendo responsabilidades dos países deficitários e superavitários. Nada mais atual.

Japão e Brasil diferentes mas iguais



Por Grauninha

Não há na história nenhum caso de desastre natural tão cheio de imagens, sons e informações como o que houve no Japão. Foram 15 minutos entre os primeiros sinais do terremoto que iriam abalar Sendai,  capital da província de Miyagi, e o alerta do Tsunami com ondas de até 10... 15 metros.
Não há como não fazer paralelos, guardadas as devidas proporções geossistêmicas, econômicas e culturais ... mas aqui na região serrana, segundo relatos, as chuvas de fevereiro, geraram ondas de 10m na Região do Vale do Cuiabá em Petrópolis, RJ.
Lá a população é treinada para o caos. Vivem sob possibilidades altíssimas do encontro e subducção de placas tectônicas. O solo, referência para o equilíbrio, pode a qualquer momento desestabilizar. Aqui não temos encontros de placas, temos encontros de massas atmosféricas. Verdadeiros rios aéreos como cita o Professor Pedro Dias, diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) de Petrópolis, que nascem no nosso Oceano Atlântico. O mesmo Oceano tão de placas tectônicas adormecidas, mas de uma interação oceano-atmosfera altamente dinâmica e ativa, que  carrega um volume de água que chega a ser equivalente ao do Rio Amazonas, (...) e flutua sobre a Bolívia, o Paraguai e os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, podendo alcançar ainda Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, levando a maior parte das chuvas para todas essas regiões. E, apesar desta informação, ainda não as consideramos, as massas, como elementos de referência para a estabilidade dos nossos mundos tropicais. Porque se alguém está há espera de 2012 como o gran finale ficará desiludido. Nossos mundos estão se acabando aos pouquinhos...
Lá, país para lá de desenvolvido, há um sistema de alerta, Do sinal do sismógrafo para o alerta de Tsunami, pois não há como ter um alerta eficaz  para um abalo de um terremoto, são 15 minutos. 15 minutos. No Japão o alerta de Tsunami serve, além de outras ações, para você ir para uma região mais alta. Em Sendai eles tiveram 15 minutos. Parafraseando o  Lenine: O que você faria em 15 minutos com ondas a 1000 km/h, 16km/ min, aproximadamente 0,3km/s? .
Muito se criticou as autoridades e instituições serranas por não terem um sistema de alerta eficaz. Desde fevereiro fico pensando em como funcionaria este sistema de alerta calcada no horário em que as pessoas relataram do fato ao impacto das chuvas na região serrana. Para onde nós, da região das montanhas, iríamos? Estamos no alto!
O que quero levantar com estes questionamentos? A La Aziz Ab’Saber para termos uma tecnologia e educação ambiental eficaz para um sistema de alerta temos que ter uma práxis que leve em conta o  nosso sistema sócio-ecológico. Mais ecológico do que sócio. E enquanto não considerarmos que temos uma bacia hidro-aero-gráfica para fazer parte de nossos sistemas de tomada de decisão continuaremos a engulir que somos um país maravilhosoooo, porque não temos terremotos e tsunamis...
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Muito se criticou que aqui não tínhamos nenhuma preocupação com o nosso povo, que em países do 1º mundo não haveria as mortes que aqui ocorreram e que se fosse em outro lugar seriam mais de 1000 mortos...
Ledo engano.
Quando ocorre uma catástrofe não há como salvar toda a população como muitos assim imaginam.
Lá serão muito mais de 1000 mortos pois existem mais de 10.000 desaparecidos e não adiantou alertas para salvar-lhes as vidas.
O que ocorreu em nossa região serrana foi também devastador, é só verificarem as montanhas de pedras (de toneladas) que foram deslocadas, não se comparando, obviamente com terremoto e tsunami..
Mas como tudo neste nosso país o que vale é a espetacularização da desgraça, a apolitização da desgraça parecendo que o que interessa é puramente o debate político mesmo fora de ano eleitoral.
comentário de: Carlos C