sábado, 5 de março de 2011

O quarto poder

DANIEL PEARL

Por Altamiro Borges


Um pouco de história

A Globo não aceita perder sua influência na vida dos brasileiros. A Rede Globo rejeita a democracia, rejeita a legalidade, rejeita os interesses públicos. E isso não é de hoje. É bom neste momento recordar a forma com que a Globo construiu seu império midiático. A Globo só chega hoje onde ela chega, com seu “padrão de qualidade”, influenciando a vida de todos os brasileiros, porque ela se aproveitou de todas as benesses de quem teve o poder no Brasil. A Globo só deixou de ser um grupo pequeno carioca (com um jornal e uma rádio) para se agigantar com a ditadura militar. De forma ilegal, ela se aliou ao grupo americano Time Life para a construção da TV Globo em 1962, com um aporte de 6 milhões de dólares. Depois de descoberta a maracutaia, a Globo desfez o acordo, mas já era tarde para a concorrência. Com o apoio dos militares, a Globo fez parte do projeto de integração nacional pelas telecomunicações, construindo a sua rede nacional de emissoras e chegando a todo país. A Globo foi um dos pilares para os 20 anos de ditadura militar no Brasil.

No processo de redemocratização do país, a Rede Globo só “abraçou” a mobilização popular quando a queda dos militares era iminente. A emissora não cobriu as diversas mobilizações pelas “diretas já”, chegando até o clássico caso do comício que reuniu milhões na Praça da Sé, em São Paulo, e a Globo noticiou que estava acontecendo uma comemoração do aniversário da cidade, enquanto os outros canais entravam com flash ao vivo das manifestações. Este foi um dos motivos da existência da palavra de ordem “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. Isso sem contar outros casos como a manipulação do debate entre Lula e Collor em 1989, o apoio às privatizações e ao governo FHC e o ataque sistemático ao governo Lula. Além disso a Globo nega e impede qualquer proposta de regulação pública e debate público sobre as comunicações no país. Ela agiu contra a criação da Ancinav (agência que regularia o audiovisual brasileiro) em 2004, se negou a participar da Conferência Nacional de Comunicação e rejeita qualquer mudança na caduca legislação do setor. E assim a Globo mostra como ainda é uma das instituições mais poderosas do país. Apesar de que ao longo dos anos ela vem perdendo sua audiência e a influência na população brasileira.

A desmoralização das instituições

Hoje a Rede Globo está em confronto aberto com a Rede Record e seu mantenedor, o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. A Globo ainda se vê cada vez mais acuada pela convergência das mídias, com as jamantas das empresas de telecomunicações avançando pela TV por assinatura, internet e distribuição de conteúdos. E nesse cenário, porque ela iria respeitar uma determinação antimonopolista do Cade.

Para a Globo, a lei, a regulação, o interesse público sempre foram detalhes a serem esquecidos. E a atual disputa pelos direitos de transmissão é um caso notório. A Globo e o Clube dos 13 assinaram um Termo de Compromisso de Cessação em outubro de 2010 concordando com o fim da preferência na compra do campeonato e a venda separada por mídias. O Clube dos 13 cumpriu sua obrigação, mas a Globo não. Ela preferiu, à sua maneira corriqueira de agir, com um golpe. E sem nenhum constrangimento. Em nota oficial, a Globo afirma que é contra o edital do Clube dos 13, alegando que a existência da concorrência entre as emissoras e a separação do edital por mídia (TV aberta, TV por assinatura, PPV, internet, celular) inviabilizaria seu modelo de negócio. A Globo ainda publicou anúncios em todo país afirmando que está agindo em respeito ao torcedor. Ela desmoraliza o acordo com o Estado brasileiro e ainda tripudia da população.

Mas a emissora da família Marinho não aceita perder o jogo. Sua jogada é simples, rachar o Clube dos 13 e negociar individualmente com os clubes, em uma clara tentativa de manobra do acordo com o Cade. Corinthians, Flamengo, Botafogo, Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Coritiba, Grêmio e Palmeiras e Santos já se submeteram ao poder Global e anunciaram não aceitar as negociação realizada pelo Clube dos 13. Apenas São Paulo, Atlético Mineiro, Internacional resistem até a abertura dos envelopes dos editais, em 11 de março. Em reunião com o presidente do Clube dos 13, nesta última terça-feira, o presidente do Cade, Fernando Furlan, disse que um provavél acordo entre os clubes e a emissora poderá ser alvo de um outro processo no órgão. Enquanto isto, Fábio Koff, presidente do Clube dos 13 ainda insiste em dizer que a entidade ainda tem a prerrogativa de negociar os direitos de transmissão de seus associados. Oficialmente, apenas o Corinthians confirmou sua retirada do C13. A desmoralização do futebol brasileiro segue em ritmo acelerado.

O desafio do combate a miséria


Por Gustavo Souto de Noronha
A miséria é inimiga da democracia. Quando a presidente da República estabelece como objetivo eliminar a miséria no Brasil, não podemos fazer isto sem discutir reforma agrária. O quadro de pobreza e miséria rural é muito mais avassalador que o urbano. Temos trabalhadores submetidos a regimes de semiescravidão e superexploração como em nenhum outro setor da economia. Acrescentem-se os "falsos incluídos", minifundiários, sem acesso a qualquer linha de crédito, cujas propriedades não possuem tamanho suficiente para permitir-lhes uma cidadania plena. Ou seja, ainda temos muito a avançar na construção de uma democracia econômica e social, particularmente no meio rural.
�meros estudos econômicos, inclusive da corrente neoclássica normalmente associada ao ideário neoliberal, asseveram que a grande propriedade é ineficiente. Há discussões sobre o tamanho ideal de uma propriedade rural, que varia conforme a exploração, mas é certo que a partir de determinada área utilizada começa-se a gerar deseconomias de escala. Além disso, a atividade agrícola não é uma atividade capitalista em senso estrito, pois está sujeita a muitas incertezas, como, sobretudo, as condições meteorológicas. Esses fatos corroboram a ideia proposta pelos movimentos sociais da necessidade de alguma limitação do tamanho da propriedade rural.
Deve-se destacar que nenhum país do mundo se desenvolveu sem, em algum momento de sua história, realizar algum tipo de reforma agrária. A literatura acadêmica é vastíssima a este respeito. As razões normalmente estiveram ligadas à expansão do mercado consumidor interno, ou ao rompimento com as antigas oligarquias políticas feudais e semifeudais. 
No Brasil, só recentemente, com o programa Bolsa Família, iniciou-se a ampliação do mercado interno. No entanto, é necessário avançar para que esses beneficiários tenham acesso a uma renda não assistencial. A reforma agrária é uma das alternativas mais baratas de geração de emprego e renda, incluindo-se aí as políticas de crédito e assistência técnica necessárias à efetiva estruturação econômica e social das famílias assentadas. A agricultura familiar é mais eficiente que a patronal, comprovável por qualquer análise criteriosa do Censo Agropecuário do IBGE, e a desconcentração fundiária também amplia a demanda por máquinas e insumos agrícolas.
O Brasil inventou o que pode ser chamado de Reforma Agrária Perene, contínua. Toda reforma agrária tem que ter começo, meio e fim. Hoje existe uma boa política de assentamentos, mas atrelada apenas à fiscalização da função social da propriedade privada. Isto é insuficiente, pois assim as transformações econômicas e sociais esperadas em um processo de reforma agrária não se realizam. O índice Gini de concentração fundiária pouco se alterou nas últimas décadas no país. Ou seja, pouco mais de 600 mil famílias assentadas em oito anos, como ocorreu entre 2003 e 2010, apesar de ser mais do que o que foi feito em períodos anteriores, ainda não pode ser chamado de reforma agrária. Para tanto, seria preciso assentar em oito anos, no mínimo, oito milhões de famílias.
É importante destacar que a grande maioria dos alimentos consumidos no dia a dia pelos brasileiros vem da agricultura familiar, a pequena propriedade. Pode se dizer que a solução de médio e longo prazos para o impacto dos alimentos na inflação dar-se-á através de uma reforma agrária que reorganize a produção de alimentos do país. Não custa lembrar que inflação de alimentos se dá por um problema de oferta. E a grande propriedade, como produz principalmente para o mercado externo, não afeta tanto a curva de oferta interna de alimentos.
Se a ideia da democratização do acesso à terra esteve presente nos debates da sociedade brasileira pelo menos desde Joaquim Nabuco, a sua efetivação ainda parece utopia. Enfim, somente com uma reforma agrária efetiva, consorciada a políticas de estado de crédito e assistência técnica, será possível destravar o avanço do Brasil na direção de uma sociedade desenvolvida e democrática.

O tipo de noticia que faz os "sardinhas" entregarem suas ações

O titulo de uma noticia, as vezes, nada mais é, que uma parcialidade do jornalista e que, em muitos casos, induz ao erro.


Gerdau tem queda de 35% em seu lucro líquido no quarto trimestre de 2010
Gerdau tem queda de 35% em seu lucro líquido no quarto trimestre de 2010

Por: Equipe InfoMoney
03/03/11 - 11h48
InfoMoney


SÃO PAULO - A Gerdau anunciou na manhã desta quinta-feira (3) o resultado referente ao quarto trimestre e ao consolidado de 2010. Na comparação entre o último trimestre de 2010 com o mesmo período de 2009, tanto o Ebitda (geração operacional de caixa) quando o lucro líquido da companhia apresentaram retração. 
O Ebitda consolidado apresentou retração como resultado do impacto dos preços das matérias-primas nas diferentes operações de negócios. De acordo com a empresa, houve um descompasso entre o aumento dos preços das matérias-primas e o repasse nos preços de produtos de aço. 
Em relação à retração do lucro líquido do trimestre, a queda foi justificada pelo reflexo do menor resultado operacional da Gerdau.
(R$ milhões)4T104T09Variação20102009Variação
Receita Líquida7.8006.363+23%31.39326.54018%
Ebitda8151.246-35%5.2013.81536%
Lucro líquido420643-35%2.4571.005144%
Vendas consolidadasNo quesito vendas consolidadas, a Gerdau reportou alta de 3% na comparação entre o último trimestre de 2010 e o mesmo período de 2009. Essa alta foi justificada pela recuperação de demanda que a companhia obteve em todos os mercados  em que atua. Na comparação entre 2009 e 2010, o avanço foi de 24%, totalizando 17,363 milhões de toneladas.
Nas operações relativas ao Brasil, as exportações recordes de produtos semi-acabados impulsionaram as vendas nessa operação, reflexo sobretudo da maior demanda por tarugos na região asiática.
Já nas operações da América do Norte, a recuperação de volumes registrada deveu-se aos maiores níveis de demanda observados na região, “principalmente pelos clientes do setor industrial”, aponta o comunicado enviado pela companhia.

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Ok


A Gerdau teve uma retração de 35% em seu Lucro Líquido no 4 trimestre de 2010 em comparação ao 4 trimestre de 2009, MAS, um crescimento de 144% no mesmo Lucro Líquido em comparação ao ano todo de 2010 ao ano de 2009.


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Comentário do economista PIMON:
Reflexo do preço do minério de ferro.
Duopólio VALE e BHP.
A Austrália cobra 45% em royalties, o Brasil….. 02%!!!
Tudo vale…. ou vale tudo?

PSDB morde os cotovelos de inveja

Robson Bonin
Do G1, em Brasília
 
O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), divulgou nota na tarde desta quinta-feira (3) na qual lamenta não poder comemorar o crescimento de 7,5% da economia brasileira em 2010.

“Infelizmente, não podemos comemorar o crescimento do PIB como deveríamos. Os 7,5% seriam uma boa taxa de crescimento se os problemas estruturais da economia brasileira não estivessem aparecendo”, registra a nota.
Para o tucano, “problemas estruturais da economia” e os cortes em investimentos e programas sociais são fatores que maculam o bom resultado. Em quatro parágrafos, Guerra afirma que os juros “foram parar nas estrelas” e afirma que o descumprimento de promessas pelo governo, como o compromisso de não cortar recursos de programas sociais, fazem parte do que o ex-governador de São Paulo José Serra classificou de “estelionato eleitoral”.
“Os juros foram para as estrelas. Os cortes em investimentos e programas sociais anunciados até agora não passam de espuma. Provavelmente outros terão que ser feitos em função do mau estado das contas públicas. José Serra chamou a atenção para o estelionato eleitoral que se aproxima. Tem razão”, argumenta Guerra.
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Analisando as declarações Tucanas:

“Os juros foram para as estrelas..."

Os juros estrelares hoje são de 11,75% ao ano. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) entregou o país ao presidente Lula em 2002 com juros em Plutão, na casa de 25% ao ano.
Todo país em rítimo forte de desenvolvimento fica vulnerável as ameaças inflacionarias, principalmente em setores em que a oferta não consegue acompanhar a demanda. 
O governo federal, em 2009, lançou o programa social Minha Casa Minha Vida, disponibilizando incentivos e recursos aquecendo o mercado imobiliário. Em contrapartida, o setor não conseguiu acompanhar o crescimento da demanda, tornando-o o maior vilão da alta da inflação.
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"...Os cortes em investimentos e programas sociais anunciados até agora não passam de espuma..."

Justamente pelos motivos relacionados acima, que houve o corte no programa Minha Casa Minha Vida 2, por isso, o corte se faz necessário para um crescimento sustentável. Mas, em contra partida, Dilma reajustou o Bolsa Família em  19% em média.
O Bolsa Família não é uma vitrine eleitoral, ao contrário do que a elíte separatista diz, o programa social foi o principal responsável por tirar 3 milhões de brasileiros da linha da miséria.

Impactos positivos do Bolsa Família:



- Índice de crianças e adolescentes de 6 a 16 anos fora escola diminui em 36%, na comparação entre beneficiários (5,4%) e não beneficiários (8,4%)

- A evasão de adolescentes no ensino médio reduz à metade, comparado os índices de jovens beneficiários (7,2%) e não beneficiários (14,2%)

- A desnutrição infantil caiu de 12,5% para 4,8% de 2003 a 2008, entre crianças menores de 5 anos;

- Bolsa Família foi o responsável pela saída de 3 milhões de pessoas da extrema pobreza (Ipea/Pnad 2009);

- Distribui renda, desenvolve a economia e reduz as desigualdades sociais e regionais do país com impacto direto sobre um quarto da população brasileira

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cada R$ 1,00 investido no Bolsa Família aumenta em R$ 1,44 o PIB brasileiro.


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Em suma, as declarações do senhor presidente do PSDB, nada mais é que, uma imensa "dor de cotovelo" de uma oposição que pouco tem pra argumentar, e que, quando foi governo, não teve competência suficiente para colocar o Brasil na posição em que esta agora na economia global.

PS:" Contra fatos, não há argumentos"


Marcio Morais.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Jogo de cartas marcadas


Por Luis Nassif

Ontem, antes mesmo de sair a decisão do COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central) em relação à taxa Selic, o dólar caiu para a menor cotação em dois meses: R$ 1,660 na venda.
Já há algumas semanas, as instituições financeiras vinham apostando fortemente na apreciação do dólar. Segundo dados do Banco Central, tinham US$ 13,29 bilhões aplicados em posições vendidas – situação em que se aposta na queda da moeda.
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A razão é simples: desde o início do mês o mercado apostava na alta da taxa Selic. E, aí, bastava uma aposta sem risco no dólar: mais juros, maior o diferencial em relação às taxas internacionais, maior fluxo de dólares entrando e, consequentemente, o valor do dólar caindo.
Esse movimento acompanha o mercado há pelo menos 18 anos. Em todo mercado, a especulação é uma ferramenta de risco. A ponta mais aventureira aposta em determinada cotação, podendo perder ou ganhar; a ponta mais conservadora aposta em outra, que lhe garante um ganho limitado, porém seguro.
Na dobradinha juros-câmbio do país, o único risco decorre de fenômenos externos, não controláveis.
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Foi assim com a crise da Rússia, que pegou no contrapé instituições que apostavam na elevação do valor dos títulos brasileiros – depois do Banco Central ter planejado na surdina a recompra de títulos no exterior.
Depois, na crise de 2002 onde aos fatores políticos internos se somaram fatores internacionais, como a crise da dívida das montadoras norte-americanas.
Finalmente, em 2008, com a quebra do Lehman Brothers.
Mas a dinâmica posterior é a mesma. Na virada, alguns perdem, outros ganham. Depois, retoma-se o processo normal de juros altos e câmbio baixo, proporcionando o duplo ganho aos especuladores sem risco.
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No governo Lula, a dissintonia entre Fazenda e Banco Central produziu uma falsa solução. Sem condições de impedir o BC de promover a apreciação da moeda, a Fazenda insistiu para que pelo menos comprasse dólares no mercado e acumulasse reservas cambiais.
O grande problema das crises cambiais é quando todo mundo sai correndo atrás de dólar e o mercado não consegue atender à oferta. A consequência é a disparada das cotações.
Com reservas cambiais, teve-se a segurança de que, em caso de crise, a procura seria atendida, impedindo uma maxidesvalorização.
Esse acúmulo de reservas resultou em um custo fiscal expressivo: o BC vende títulos públicos que pagam mais de 11% ao ano, recolhe reais, compra dólares e aplica a taxas pouco maiores que zero. A diferença é custo fiscal, dinheiro que sai do orçamento ou necessidade de emitir mais títulos para rolar a dívida.
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Um dos fatores que coibia a queda do dólar era justamente o receio da maxidesvalorização. A partir de certo nível de apreciação, o risco de perder dinheiro era diretamente proporcional ao tamanho da maxidesvalorização, quando sobreviesse a corrida.
Com as reservas, o risco foi minimizado. Isso levou os investidores a se sentirem mais seguros ainda para apostar na desvalorização do dólar.
É por isso que, apesar de todas as ameaças da Fazenda, o mercado está pouco se lixando.

Lexotan de R$7,5 Bi aos mercados


Por Webster Franklin

UM 'LEXOTAN' DE R$ 7,5 BILHÕES AOS 'MERCADOS'

  Reunião do Copom desta 4º feira serviu um 'lexotan' de R$ 7,5 bilhões aos mercado financeiros, com mais uma alta de 0,5 ponto na taxa básica de juro do país. O valor equivale a quase quatro vezes o gasto previsto com o reajuste do Bolsa Família, anunciado no dia anterior, que deixou os 'mercados nervosos' embora beneficie 50 milhões de brasileiros mais pobres. Desde 19 de janeiro, o BC  já elevou em 1 ponto  a taxa de juros, agora fixada em 11,75% --a mais alta do mundo. Significa que em apenas 41 dias, houve uma transferência de R$ 15 bilhões em recursos fiscais dos cofres públicos aos rentistas detentores da dívida interna.  Em 2010, foram pagos, no total, R$ 190 bilhões em juros. O que diz a mídia sobre  essa 'gastança' desenfreada? 

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Combater a inflação não é uma briga fácil a ser vencida.


O governo vem usando alguns "remédios" para frear a demanda, e a SELIC é um deles, porém, tem seus efeitos colaterais, as dividas publicas que aumentam com o aumento dos juros.


O que já deu pra notar é que a inflação é setorial, entre eles, os setores imobiliário e automobilístico são protagonistas, e a restrição ao credito, nesse caso, é o ponto principal para conter a demanda.


O setor alimentício e commodities também são vilões, mas, nesse caso, o problema é mundial e não domestico.







quarta-feira, 2 de março de 2011

SELIC vai à 11,75%

Por Isabel Versiani e Alonso Soto
BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,5 ponto pela segunda vez consecutiva no ano nesta quarta-feira, em meio a uma escalada das expectativas do mercado para a inflação.
O aperto, definido de forma unânime pelo Comitê de Política Monetária, veio em linha com o esperado pela maioria dos analistas, ainda que nos últimos dias tivesse havido um aumento das apostas em uma elevação de 0,75 ponto.
"Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75 por cento ao ano, sem viés", afirmou o Copom em um comunicado mais suscinto do que o usual.
O novo patamar da Selic é o mais elevado desde o início de 2009 --quando o BC começou a reduzir a taxa para estimular a economia doméstica abalada pela crise global. Seu anúncio ocorre dois dias após o governo ter detalhado cortes das despesas públicas este ano, em medida que também pode contribuir para esfriar a atividade

O fim da hegemonia da Globo


Por Luis Nassif
Há uma frase de Churchill: "Não se consegue a vitória apenas com recuos bem sucedidos". Vale para a manobra da Globo para anular o Clube dos 13 e negociar diretamente com os clubes os direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, quando percebeu que seria derrotada pela Record em um leilão. Fez o recuo. E, agora, cadê o avanço?
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Durante 40 anos a Globo consolidou um domínio na audiência da TV aberta, em cima de alguns pilares centrais: a rotina nas novelas e o controle absoluto sobre as transmissões de futebol, sustentado por práticas anticoncorrenciais..
Para consolidar essa distorção, a Globo sempre procurou se posicionar acima dos partidos políticos. Era como se fosse o quarto poder da República.
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Quando Roberto Marinho saiu de cena e terminou a era Evandro Carlos de Andrade, cedendo lugar à inexperiência truculenta de Ali Kamel, o modelo começou a ruir.
A proverbial habilidade política da Globo cedeu lugar a fantasias de derrubar presidentes, eleger presidentes e atuar como partido político. Perdeu o status institucional. E aí aparentemente o CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) foi liberado para fazer valer a lei, obrigando a uma disputa limpa pelos direitos de transmissão
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Ao longo de décadas a Globo montou uma rede de relacionamento informal, não com os clubes mas com os dirigentes, fechando os olhos para seus negócios paralelos.
Obviamente a proteção trazia implícita a mensagem de que dependeria das relações de lealdade.
A Record entrou no jogo com a ingenuidade de achar que poderia montar relacionamentos com os clubes da noite para o dia e confiar na palavra dada pelos dirigentes. Quando percebeu a extensão do jogo, e a puxada de tapete de alguns dirigentes, começou a preparar matérias de denúncias. Soou mal.
Só que o acordo com a Record – R$ 550 milhões para o Clube dos 13 – renderia R$ 42 milhões para o Corinthians. Com a proposta da Globo, cairá para R$ 20 milhões. Como os presidentes irão se explicar?
No contrato assinado com o Clube dos 13, a Record se dispôs até a dar uma vantagem de 10% para a Globo: ou seja, com até 10% de diferença, o lance da Globo poderia ser vendedor. A Globo não aceitou: queria 30%.
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Mesmo assim, não haverá como a Globo justificar a perda de receita dos clubes, caso fechem com ela.
Antes, a Globo comprava todo o conteúdo do campeonato. Agora, o Clube dos 13 decidiu que o conteúdo é dele, que o revenderá de forma segmentada, para emissoras abertas, para TV a cabo, para Internet.
Só o Portal Terra – do grupo Telefonica – parece disposto a pagar R$ 100 milhões pelos direitos na Internet; a Record mais R$ 550 milhões apenas pelos direitos para TV aberta., por apenas dois jogos por semana: um às 20:30 de quarta-feira, outro aos sábados ou domingos. E a Globo pretende pagar apenas R$ 250 milhões por todo o conteúdo, para todas as mídias.
Seja qual for o resultado, o episódio marca o fim de uma era de predomínio das Organizações Globo. Continuarão influentes, mas não mais com o poder absoluto. E cada dia de vida, pelo visto, será um dia a mais para a Record. E um dia a menos para a Globo. 

O livro mais esperado do ano!!!


Por Lucas Figueiredo (lfigueiredo.wordpress.com)
A chapa vai esquentar!
Enganou-se quem achava que não passava de fantasia a história do livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. sobre supostas irregularidades nas privatizações promovidas pelo governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Não era cascata de Ribeiro Jr. para se livrar das graves acusações que pesam contra ele na Polícia Federal. O livro existe, tem editora e, pelo que apurou o blog, uma primeira versão da obra já foi inclusive entregue.
Tucanos, petistas e empresários, tremei-vos!
Mas deve tremer também Ribeiro Jr., pois até agora, no inquérito que apura o caso do dossiê contra José Serra, a PF acredita ter provas para condenar apenas o jornalista.
Segundo também apurou o blog, com as provas que tem até agora, a PF tende a fechar o inquérito com as seguintes conclusões:
1) Em 2009, Ribeiro Jr. teria violado o sigilo fiscal de Serra quando produzia um dossiê sobre o tucano para o Estado de Minas, jornal em que trabalhava na época como repórter;
2) Apesar de supostamente ter encomendado o dossiê a Ribeiro Jr. e de ter pagado as despesas para a produção da papelada, o Estado de Minas e sua direção não teriam infringido a lei. Pelo Código Penal, encomendar dossiê não é crime. Crime foi a quebra do sigilo de Serra, ato que teria sido arquitetado unicamente por Ribeiro Jr.;
3) Apesar de o próprio jornalista ter afirmado que o objetivo do dossiê seria “proteger” o então governador de Minas Aécio Neves (PSDB), de quem o Estado de Minas é aliado, não há provas no inquérito que sustentem que de fato o cliente final da papelada fosse o tucano mineiro. Na época, Aécio disputava com José Serra a condição de candidato do PSDB à Presidência da República;
4) Depois de deixar o Estado de Minas, na virada de 2009 para 2010, e ao negociar sua participação em um núcleo de inteligência que estava sendo criado para a pré-campanha de Dilma Rousseff, Ribeiro Jr. apresentou a petistas informações que colhera sobre Serra na época em que trabalhava no Estado de Minas. Entretanto, apesar de terem tomado conhecimento de dados supostamente obtidos por meio de crime, nenhum integrante do PT ou da pré-campanha de Dilma infringiu a lei. Para os petistas, vale o mesmo raciocínio do caso do Estado de Minas: a decisão de quebrar o sigilo teria sido responsabilidade exclusiva de Ribeiro Jr.
Isso é o que a PF tem até agora. Com base na letra fria da lei, Ribeiro Jr. poderá ser o único a pagar o pato. Ele foi indiciado em quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documento falso e oferecimento de vantagem a testemunha. O jornalista alega inocência e afirma peremptoriamente não ter quebrado o sigilo fiscal de Serra.
Agora é esperar pelo livro para ver debaixo desse angu tem mesmo alguma carne.

A briga vai ser boa


Do R7

A Rede Record se pronunciou nesta quarta-feira (2) sobre a disputa pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro e sobre o racha no Clube dos 13. O comunicado foi feito no dia seguinte à reunião do C-13 com o Cade, que decidiu que a emissora que fizer a melhor proposta poderá transmitir os campeonatos de 2012, 2013 e 2014.
Veja o comunicado na íntegra:
"A Rede Record vem a público expressar preocupação com as reações ao modelo de negociação proposto pelo Clube dos 13. O formato foi desenvolvido como consequência de um acordo entre o Clube dos 13 e o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Pelo que foi acertado, cláusulas que caracterizavam o favorecimento a um monopólio e impediam a participação de outros concorrentes de forma democrática e transparente foram proibidas.
O modelo anterior impôs aos clubes brasileiros o endividamento e a perda sucessiva de seus maiores talentos para outros países. Alguns clubes brasileiros passam meses sem parceiros patrocinadores porque camisas, luvas, bonés e até placas publicitárias são evitadas ou encobertas nas transmissões esportivas. Ainda existem alguns clubes brasileiros que simplesmente são ignorados durante a temporada e passam semanas sem que seus jogos sejam transmitidos.
A carta convite enviada pelo Clube dos 13 contempla uma concorrência transparente, séria, com regras claras. O documento exige propostas entregues em envelopes fechados e pressupõe declarar vencedor aquele que fizer a melhor proposta financeira para todos os clubes. O modelo é semelhante ao estabelecido pelo Comitê Olímpico Internacional para a disputa de direitos dos Jogos Olímpicos. A Record detém os direitos de transmissão exclusivos dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Fez a melhor proposta e venceu. O mercado publicitário brasileiro - de forma ousada - correspondeu ao investimento da Rede Record e cobriu todos os custos de direitos e transmissão, além de gerar lucros. Parte do pacote olímpico já foi visto no Brasil com a premiada e pioneira cobertura esportiva dos Jogos de Inverno de 2010, de Vancouver, no Canadá. Prova inequívoca de que a Record quer inovar no esporte, tem apoio do mercado publicitário e retorno expressivo em audiência.
Este ano, em outubro, faremos o mesmo com os Jogos Panamericanos de Guadalajara.
A proposta do Clube dos 13 rompe com as obscuras negociações que favoreciam o monopólio e descaracterizavam a concorrência, impondo aos clubes valores e limitações exigidas pelos eternos favorecidos. A Record reafirma o desejo de participar da concorrência do Clube dos 13, se os associados estiverem em acordo e unidos em busca de propostas que ofereçam alternativas para o torcedor brasileiro, melhorem arrecadações e ampliem a possibilidade de surgimento de novos patrocinadores.
Mas se os clubes desejarem uma negociação em separado, optando por outro modelo, a Record também pretende apresentar proposta, desde que as negociações sejam feitas seguindo padrões de transparência e regras claras. Ou seja, com a garantia de que a melhor proposta para a televisão aberta terá preferência. Esta é a forma que a Record encontra para contribuir com a evolução e o desenvolvimento do futebol brasileiro, proporcionando ao torcedor acesso livre e gratuito ao esporte preferido da nação."

Se todos fosse assim...

Por Carlos Newton
Como se trata de um exemplo de austeridade e comportamento político, vale a pena reproduzir aqui uma reportagem do “Jornal da Comunidade”, de Brasília, mostrando que nem tudo está perdido. É um  deputado federal de 39 anos, idealista, filiado ao PDT, cuja carreira pode surpreender favoravelmente a opinião pública. Chama-se José Antonio Reguffe, é economista e jornalista. A entrevista com ele foi feita pelo repórter Luis Ricardo Machado.
“Em meio à onda de escândalos no cenário político de Brasília em 2010, fato que gerou a queda do governador, secretários de estado e alguns deputados distritais, o discurso pela ética e pela honestidade na política ganhou eco nas eleições da capital federal.
Sem utilizar recursos milionários e atuando da mesma forma que foi eleito deputado distrital em 2006, José Antônio Reguffe (PDT) obteve 266.465 mil votos, 18,95% dos votos válidos a deputado federal, e tornou-se o novo fenômeno da política nacional. Respeitando as proporções do coeficiente eleitoral, Reguffe foi o candidato proporcionalmente mais votado em 2010 à Câmara dos Deputados.
Estreou na Câmara fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa. Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, nem se ele quiser poderá voltar atrás. Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. Dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para apenas R$ 4.600.
Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável. Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão.
“A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores”, afirmou Reguffe em discurso no plenário.

terça-feira, 1 de março de 2011

Salário mínimo e o blefe da oposição


Por Mauricio Dias


O governo aprovou no Congresso o novo salário mínimo de 545 reais. A oposição (DEM) tentou passar 560 reais ou 600 reais (PSDB). As centrais sindicais, inclusive a petista Central Única dos Trabalhadores (CUT), pediam 580 reais, aparentemente alinhadas com o próprio ministro do Trabalho, Carlos Lupi. O valor poderia também ser também o de 2 mil, 194 reais e 76 centavos, projetado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em tese, o piso capaz de satisfazer as despesas de um cidadão com saúde, transporte, Previdência, lazer, educação, moradia, higiene e alimentação. Essa é a meta a ser perseguida.

Governar só tem sentido se o objetivo do governante for o de buscar, sempre e sempre, o bem-estar geral dos cidadãos. Entre essa percepção que deve guiar as ações do poder, o objetivo eleitoral da oposição e o estudo sobre o que seria um salário mínimo perfeito – justo aos trabalhadores que vivem ou têm como referência de ganho esse valor básico – existem, porém, as polêmicas e importantes contas públicas.

Por que, então, José Serra, ex-governador de São Paulo, mantém o discurso da campanha presidencial que perdeu, de que o mínimo de 600 reais não comprometeria a estabilidade das contas federais? E, mais ainda, ao estabelecer o salário básico de 600 reais, o atual governador paulista, Geraldo Alckmin, não estaria provando, na prática, que o que Serra defende é possível?

Aparentemente, sim. Mas esse é apenas um blefe da oposição tucana.

O truque é facilmente desmontável. O salário mínimo regional, ao contrário do que acontece com o mínimo federal, não tem impacto na conta da Previdência local. Ou seja, não interfere nas contas públicas. Regula tão somente o patamar dos trabalhadores da iniciativa privada que não possuem piso definido por lei federal.

Alckmin fixou o mínimo em 600 reais, como Serra quer. Só que, no estado do Rio, vencida a batalha do salário no Congresso, o mínimo deverá ser de 605 reais e 32 centavos, a ser anunciado após o carnaval. O tempo é um cálculo político do governador Sérgio Cabral para evitar pressão no governo federal antes que o Congresso aprove o reajuste do mínimo. Ou seja, o salário mínimo no Rio será maior do que o mínimo em São Paulo, alardeado por Alckmin.

Mágica? Cabral asfixia as contas públicas do Rio de Janeiro? Claro que não.

Considerando os trabalhadores com carteira assinada, a primeira faixa de assalariados que, no Rio, receberá o aumento integral – inflação mais correção do crescimento econômico – representa apenas 0,5% do assalariado. Ou seja, um porcentual sem representação econômica expressiva nas contas do estado. Ou seja, fala-se aqui dos trabalhadores agropecuários e florestais. Raciocínio semelhante se aplica em São Paulo.

Antes que alguém apresente o argumento que esta mesma falácia eleitoral foi sustentada pelos petistas quando os tucanos estavam no poder, o colunista se antecipa. É verdade. Os petistas também usaram esse mesmo recurso com finalidade eleitoral. É preciso considerar, no entanto, dois “poréns” relevantes nesse ponto do debate.

O primeiro: o comportamento anterior do PT oposicionista não justifica o mesmo comportamento do PSDB oposicionista, no poder antes e na oposição agora. O segundo: em oito anos de governo, Lula possibilitou um ganho real de 53% para o salário mínimo.

Serra tenta se levantar


Por Stanley Burburinho
Do Último Segundo
Embora tucano negue, aliados já dão como praticamente certa sua candidatura à prefeitura paulistana
Nara Alves iG, São Paulo | 28/02/2011 06:00
O ex-governador tucano José Serra trabalha nos bastidores para aumentar seu controle sobre o processo eleitoral de 2012 na capital paulista. Para isso, tem convidado vereadores tucanos e outros líderes locais para encontros em seu escritório, na zona oeste da capital, para tratar, entre outros assuntos, da corrida à Prefeitura de São Paulo. Para tucanos, sua candidatura é dada como certa, embora ele tenha negado repetidas vezes que irá concorrer ao cargo.
Entraram na lista de convidados para as reuniões vereadores como Gilson Barreto, Tião Faria e Floriano Pesaro. Em algumas conversas, Serra ventilou o nome do senador pelo PSDB-SP, Aloysio Nunes Ferreira, como possível candidato à prefeitura. O senador, porém, garante que não pedirá afastamento do cargo para concorrer em 2012. “Não sou candidato a prefeito de jeito nenhum. Nem se o Serra pedir. Ele sabe que eu não quero”, afirmou Aloysio Nunes ao iG.
Para tucanos que acompanham a movimentação, Serra usa Aloysio Nunes para garantir espaço enquanto tenta se viabilizar nacionalmente. O candidato derrotado à Presidência trabalha para recuperar sua influência no PSDB e tem deixado correr a articulação em torno de seu nome à presidência do partido. Caso Serra não consiga se colocar nacionalmente, as eleições municipais seriam, então, seu plano B para se cacifar novamente como candidato do PSDB à Presidência da República, frente ao senador Aécio Neves (PSDB-MG).
O avanço de Serra faz frente ao aumento do controle do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, no PSDB de São Paulo. Entre lideranças ligadas ao governador, o nome do secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, circula como favorito. Além de Covas, o secretário estadual de Energia de São Paulo, José Aníbal, também deve se colocar como candidato da ala alckmista.
Estratégia
Enquanto Serra se empenha para garantir espaço no PSDB, Alckmin vem se posicionando para controlar o partido no Estado e na capital paulista. No processo que definirá as novas direções da sigla, no próximo mês, tucanos dão como certas as eleições de candidatos ligados ao governador.
Para suceder ao presidente estadual do PSDB, o deputado Mendes Thame, ligado a Serra, o favorito é deputado Pedro Tobias, amigo de Alckmin. Para suceder o presidente municipal da sigla, José Henrique Reis Lobo, ex-secretário de Serra, o favorito é o secretário de Gestão Pública de Alckmin, Júlio Semeghini. Ao contrário de Tobias, que até o momento é candidato único, o secretário pode enfrentar o deputado estadual eleito Carlos Bezerra Junior, indicado por Serra.
Pedro Tobias é do mesmo grupo político de Alckmin, mas também recebe o apoio de Serra, com quem esteve reunido por mais de duas horas na última semana. Ele nega o rótulo de “alckmista”, mas prevê que seu papel à frente da sigla na capital paulista, caso seja eleito, será o de tentar unificar a legenda. “O grande desafio do nosso partido em São Paulo e no Brasil é colocar um rumo único no partido. Vou tentar ajudar todo o partido a falar a mesma língua”, disse ao iG.