quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bin Laden está morto? E o corpo?

Por Paulo henrique Amorim


Este ansioso blogueiro está impressionado com a reação de amigos navegantes à ação americana que matou Osama Bin Laden.

Primeiro, de ceticismo: não, Bin Laden não morreu.

Cadê o corpo ?

Como se o Obama ousasse desafiar os americanos, o  mundo e o Partido Republicano com o anúncio de uma patranha. 

Ou de indignação: foi um ato imperial.

Até o reparador de iniquidades, Stanley Burburinho, regiamente pago colaborador deste ansioso blog, pareceu cético e revoltado.

No universo do twitter, então, a descrença é generalizada.

Percebe-se até a velada esperança de que os adeptos de Bin Laden derramem sangue pelo mundo, num ato de vingança e reparação.

Neste sentido, a Folha (*), hoje, na primeira página, é exemplar: “Morte de Bin Laden desencadeia (sic !) medo de onda global (sic !) de atentados”.

Bom Retiro, Higienópolis, cuidado !

A Folha anuncia o banho de sangue reparador como se tivesse inside information do compound de Abbottabad.

Nenhum órgão de imprensa no mundo pretendeu disseminar tanto pânico quanto a primeira página tresloucada – e provinciana – da Folha.

Vamos supor, amigo navegante, que num dia de semana, numa manhã de sol, na esquina de rua Augusta com a avenida Paulista, no gigantesco prédio do Conjunto Nacional, 3 mil brasileiros se preparassem para começar o dia de trabalho.

Vamos supor que dois aviões pilotados por agentes de Bin Laden se lançassem contra o prédio e matassem os três mil brasileiros – e alguns não-brasileiros que ali estavam.

Vamos supor que um terceiro avião pilotado por Bin Laden caísse em cima do Palácio do Planalto, em Brasília, na mesma hora, e matasse alguns funcionários.

E que um quarto avião caísse nos jardins do Palácio do Alvorada, porque heróis brasileiros se engalfinharam com os terroristas a bordo, e frustrassem o objetivo de destruir o Palácio e quem o ocupasse no momento.

Vamos supor, amigo navegante, que a ABIN, sob a liderança do ínclito delegado Paulo Lacerda, descobrisse que Bin Laden estava numa casa perto de Islamabad, capital do Paquistão.

Que a diplomacia brasileira há muito tempo desconfiasse que o Governo do Paquistão e seu discutível serviço de inteligência colaborassem com Bin Laden.

Vamos supor que a presidenta Dilma Rousseff ficasse sentada em cima das mãos.

Sabia onde estava Bin Laden e não fazia nada.

Ou, se resolvesse desfechar a Operação Gerônimo, agentes especiais da Marinha brasileira fossem recebidos a bala por Bin Laden.

Mas, em respeito aos princípios, os agentes especiais da Marinha brasileira convidassem Bin Laden para acompanhá-los a uma delegacia para fazer um BO e, em seguida, encaminhá-lo a ao Ministério Público do Paquistão.

O que diria a Folha ?

O que diriam os céticos amigos navegantes ?

Que a Presidenta é uma frouxa !

O que diria o Padim Pade Cerra ?

Que além de frouxa ela estimula o aborto !

O que diria o Ali Kamel ?

A Eliane Catanhêde ?

A urubóloga ?

Frouxa ? Covarde ? Incompetente ? Desalmada ? E os mártires do Conjunto Nacional, como reparar a dor das famílias ?

E o que você, amigo navegante, pai daquela jovem que foi trabalhar naquela manhã de sol no Conjunto Nacional, como reagiria  ?

O que você diria ?



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Comentário de Carlos Henrique extraido do Blog Conversa Afiada


E o que dizem os pais dos milhões de jovens muçulmanos que o terrorismo estadunidense mata diariamente, com muito mais “eficiência” do que a Al Quaeda. Repudio qualquer tipo de terrorismo, mas só um cego ou um fanático não perceberiam que os EUA e Bin Laden são igualmente terroristas, com uma “vantagem” para os ianques : têm muito mais poder de destruição. Além de atacarem o mundo árabe movidos apenas por sua ganância.


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Exatamente, Cadê o corpo?


Se Bin Laden está - e eu acho que, à essa altura, seria uma irresponsabilidade não estar - forma-se então um novo vilão nessa história toda..........o governo Pasquitanês.


O que o EUA precisa agora, é implantar na opinião pública um argumento convincente - e eles são bons nisso - para manter suas tropas dentro daqueles territórios.


Ah o petróleo!!!!!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Mantega: a Vale tem de olhar o interesse do Brasil

Do Blog Tijolaço
Foi corajosa a postura do ministro da Fazenda, Guido Mantega, hoje, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado ao afirmar que o governo tem o direito de se manifestar sobre os rumos que a Vale, maior empresa privada e exportadora do país, toma em seus negócios, pois controla 60% da mineradora.
- Não nos esqueçamos de que a Vale tem 60% (do controle acionário)) da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) e BNDES. O governo tem participação, tem que se preocupar com a empresa, e ela tem que contribuir, sim, para o país. Ela  tem que ter lucro, remunerar acionistas, ter bases sólidas, porém tem que olhar para os interesses do país.
Mantega afirmou aos senadores que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou claramente sua insatisfação com a demissão em massa de trabalhadores logo  na crise de 2008/2009 e com o abandono de projetos siderúrgicos, considerados pelo governo estratégicos para o país
- Não escondo o interesse do governo em que a Vale invista em siderurgia e aumente o seu valor agregado. Mas o governo nunca fez nenhuma imposição -ponderou Mantega. – A Vale tinha prometido fazer investimentos no Pará. Não fez, e isso, evidentemente, desagradou ao (ex-)presidente Lula.
- Quando começou a crise, o governo disse que ia dar condições para que as empresas não demitissem funcionários, e a Vale, com todo aquele seu poderio, demitiu 1.200 funcionários, fazendo barulho inclusive, fazendo propaganda. Uma empresa onde a folha de pagamento representa nada. O presidente Lula, com muita razão, manifestou-se democraticamente. Ele podia ter retaliado a Vale, a Vale é uma concessão; podia ter aumentado impostos. Mas o governo não fez nada disso. O presidente Lula usou o chamado jus sperniandi(direito de espernear, de protestar). Não vejo situação mais democrática do que essa: Lula mostrou sua insatisfação, e o senhor Roger Agnelli simplesmente ignorou, continuou fazendo aquilo que achava necessário.
É isso aí. Governo que não exercesse seu dever de zelar para que uma empresa que tem 60% do controle acionário nas mãos do Estado trabalhe para o bem do país é que devia ser criticada. Aqui, porém, parece que investir no Brasil é quase um crime.

As maneiras de conter o câmbio.

Por Luis Nassif
A economia global atravessa uma fase de excesso de liquidez, provocada pela decisão norte-americana de resgatar US$ 500 bilhões em títulos da dívida. O principal efeito sobre a economia brasileira foi o da apreciação do real, devido ao excesso de dólares entrando.
A visão tradicional dos últimos anos sugeriria combater esse excesso reduzindo o nível de atividade da economia. Para desaquecer a economia propunha-se ajuste fiscal mais rigoroso e elevação da taxa Selic. Só que, aumentando o diferencial entre as taxas interna e externa, aumentava igualmente o fluxo de dólares para o país.
De que outra maneira conter a apreciação cambial?
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O IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) fez um bom levantamento sobre as políticas adotadas por diversos emergentes para conter a valorização da sua moeda.
África do Sul
A estratégia maior foi direcionar o fluxo de capitais para fora do país. Em outubro de 2010 eliminou o imposto de 10% sobre transferências unilaterais para o exterior e aumentou o limite de investimento no exterior por pessoas físicas.
Em dezembro de 2010, elevou o limite de aplicação no exterior pelos investidores institucionais.
Finalmente, em janeiro de 2011 permitiu às empresas estrangeiras captarem recursos no exterior sem necessidade de contrato de câmbio.
Na área de regulação bancaria, permitiu aos bancos investir no exterior 25% das obrigações não conversíveis em ações.
Coréia
Em janeiro de 2011, o país reintroduziu imposto de renda retido na fonte sobre as compras de títulos do Tesouro e do Banco Central por não-residentes no país.
Entre as medidas prudenciais, em junho de 2010 limitou a exposição dos bancos a derivativos cambiais e estabeleceu limites às operações de crédito entre bancos e exportadores que fossem vinculadas a derivativos cambiais; obrigação dos bancos casarem em 100% empréstimos em moedas estrangeiras ou títulos com dívida em moeda estrangeira, no mesmo prazo. Em dezembro de 2010 anunciou para 2011 um imposto sobre a entrada de capital externo, inversamente proporcional ao prazo de permanência.
Indonésia
Instituiu uma "quarentena" de um mês sobre investimentos de portfolio em títulos do Banco Central e introduziu títulos de prazo maior – 6 a 9 meses. Entre as medidas prudenciais, aumentou as exigências de reservas sobre depósitos em moeda doméstica; também sobre moeda externa além de limites para empréstimos externos de curto prazo.
Turquia
Reduziu o imposto na fonte sobre títulos emitidos no exterior por empresas domésticas. No plano prudencial, também aumentou as exigências de reservas bancarias sobre empréstimos, além de medidas para regular o mercado hipotecário e para conter o consumo – como aumento do pagamento mínimo na fatura do cartão de crédito.
Tailândia
Facilitou a saída de depósitos em dólares por parte de residentes e aumentou o imposto na fonte para investimentos de não-residentes em títulos públicos domésticos. Também tomou medidas para restringir o consumo, como impor limites para valor financiado dos imóveis, em relação ao seu pre'ço de mercado. 

Rede Globo com exclusividade: imagens do tiro que matou Bin Laden

A barbárie e a estupidez jornalística

Reproduzo artigo de Elaine Tavares, publicado no blog Palavras Insurgentes:

Imaginem vocês se um pequeno operativo do exército cubano entrasse em Miami e atacasse a casa onde vive Posada Carriles, o terrorista responsável pela explosão de várias bombas em hotéis cubanos e pela derrubada de um avião que matou 73 pessoas. Imagine que esse operativo assassinasse o tal terrorista em terras estadunidenses. Que lhes parece que aconteceria? 

O mundo inteiro se levantaria em uníssono condenado o ataque. Haveria especialistas em direito internacional alegando que um país não pode adentrar com um grupo de militares em outro país livre, que isso se configura em quebra da soberania, ou ato de guerra. Possivelmente Cuba seria retaliada e, com certeza, invadida por tropas estadunidenses por ter cometido o crime de invasão. Seria um escândalo internacional e os jornalistas de todo mundo anunciariam a notícia como um crime bárbaro e sem justificativa.

Mas, como foi os Estados Unidos que entrou no Paquistão, isso parece coisa muito natural. Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato. Pelo que se sabe, até mesmo os mais sanguinários carrascos nazistas foram julgados. Osama não. Foi assassinato e o Prêmio Nobel da Paz inaugurou mais uma novidade: o crime de vingança agora é legal. Pressuposto perigoso demais nestes tempos em que os EUA são a polícia do mundo. 

Agora imagine mais uma coisa insólita. O governo elege um inimigo número um, caça esse inimigo por uma década, faz dele a própria imagem do demônio, evitando dizer, é claro, que foi um demônio criado pelo próprio serviço secreto estadunidense. Aí, um belo dia, seus soldados aguerridos encontram esse homem, com toda a sede de vingança que lhes foi incutida. E esses soldados matam o “demônio”. Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do “demônio”. Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar. Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça.

E, tendo encontrado o inimigo mais procurado, nenhuma foto do corpo? Nenhum vestígio? Ah, sim, um exame de DNA, feito pelos agentes da CIA. Bueno, acredite quem quiser. 

O mais vexatório nisso tudo é ouvir os jornalistas de todo mundo repetindo a notícia sem que qualquer prova concreta seja apresentada. Acreditar na declaração de agentes da CIA é coisa muito pueril. Seria ingênuo se não se soubesse da profunda submissão e colonialismo do jornalismo mundial.

Olha, eu sei lá, mas o que vi ontem na televisão chegou às raias do absurdo. Sendo verdade ou mentira o que aconteceu, ambas as coisas são absolutamente impensáveis num mundo em que imperam o tal do “estado de direito”. Não há mais limites para o império. Definitivamente são tempos sombrios. E pelo que se vê, voltamos ao tempo do farwest, só que agora, o céu é o limite. Pelo menos para o império. Darth Vader é fichinha!

A genial solução do prefeito Kassab para o trânsito paulista.

Como diria Paulo Henrique Amorim:


Esse Brizola Neto......


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Que as grandes cidades brasileiras não podem continuar a ser “escravas” do automóvel e precisam investir no transporte coletivo é, como diria Nélson Rodrigues, o óbvio ululante.
Mas em lugar de melhorar o transporte de massa, será que isso vai ser conseguido tirando a garagem dos projetos de prédios para a população de baixa renda?
Ontem, a Folha publicou que a prefeitura de São Paulo decidiu que os novos conjuntos da Cohab serão construídos sem vagas de garagem.
Logo, os carros irão para as ruas. Ou os moradores acabarão por fazer “puxadinhos” e telheiros para os carros que, afinal, podem comprar.
Nas áreas de classe média e alta, nem pensar em proibir as garagens, claro.
A desculpa é que, sem garagem para guardar o carro, os mais pobres vão optar pelo transporte coletivo e pela bicicleta.
Ou, quem sabe, comprar um carro de Formula Indy. Assim conseguem uma via expressa para se livrar dos congestionamentos.

A “competência” de Agnelli é um buraco para o Brasil

Do Blog Tijolaço
RIO DE JANEIRO (Reuters) – As exportações brasileiras de minério de ferro somaram 24,66 milhões de toneladas em abril, contra 21,36 milhões de toneladas um ano antes e praticamente estável ante as 24,78 milhões de toneladas registradas em março, informou a Secex (Secretaria de Comércio Exterior) nesta segunda-feira.
Representadas quase que totalmente pelas vendas da Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, as exportações brasileiras da commodity significaram em valores 3,13 bilhões de dólares em abril –turbinadas pela disparada do preço–, contra os 2,885 bilhões de dólares obtidos no mês anterior. Em abril de 2010, as vendas representaram 1,44 bilhão de dólares.
O minério de ferro está submetido a ajuste trimestral baseado em uma fórmula que leva em consideração o preço no mercado à vista na China nos três meses anteriores pulando o mês imediatamente anterior.
A alta de preços no início do ano garantiu ajustes positivos para as mineradoras no primeiro e no segundo trimestres, e sinaliza para aumento de cerca de 30 por cento no terceiro trimestre.
Se o minério de ferro pesar pouco mais ou menos o mesmo que o concreto, 2,5 t por metro cúbico, isso representaria 10 milhões de metros cúbicos, quase o dobro do volume de água da Lagoa Rodrigo de Freitas.
É o tamanho do buraco que fica aqui, para virar aço lá fora. Que importamos, como até a própria Vale importa os trilhos para as estradas de ferro com que escoa os minérios para os portos.

PSDB: A hora tardia da reflexão política.

Por Luis Nassif
Por mais que tente analisar, não consigo ver futuro no PSDB. Haverá o PSDB de Alckmin e o de Aécio, mas não o PSDB nacional, como alternativa de pensamento e poder.
O que Leôncio coloca em sua entrevista é uma espécie de neossebastianismo intelectual: um cavaleiro que surgirá no horizonte no seu cavalo branco, armado de ideias e de liderança, ou quem sabe um El Cid Campeador, e ressuscitará o partido.
Não é assim.
Embora não tivesse militância, como o PT, o PSDB que chegou ao Real era fruto de circunstâncias históricas únicas. Eram os combatentes da ditadura que, em determinado momento, fugiram do fisiologismo do PMDB.
Naquelas circunstâncias, o partido passou a ganhar adeptos na sociedade civil. Não apenas a mídia, sua maior aliada, mas setores modernos, de diversos segmentos econômicos e sociais.
No meu livro "Os Cabeças de Planilha" escrevo sobre vários temas de modernização, sementes plantadas nos anos 80 e 90, que começam a florescer nos anos 90. A questão da descentralização, do estado enxuto (porém forte), dos programas de qualidade, da inovação, a herança da Constituinte, criando cidadãos, definindo recursos obrigatórios para saúde e educação etc.
FHC tornou-se o receptador automático de todas essas ideias, porque, depois dos problemas dos governos Sarney, Collor e Itamar, pela primeira vez parecia-se ter um governo racional. Para ele convergiram as esperanças dos setores racionais do país, segmentos técnicos, universitários, pessoal de inovação, gestão, saúde, meio ambiente, novas ONGs desenvolvendo tecnologias sociais.
A visão do Leôncio – de que ideias brotam do nada – é inexplicável para alguém que era apresentado como do exército intelectual de FHC. A rigor, FHC não desenvolveu um só tema modernizante. Limitou-se a ficar em estado de êxtase com o sucesso do real, repetindo bobagens como "uma nova Renascença chegando", sem conseguir coordenar o exército que se apresentava.
Esse momento, mágico, único, foi jogado fora por FHC e mais ainda por esse enorme blefe chamado José Serra.
Quando Serra foi eleito, escrevi um artigo dizendo que ou ele rompia com o fernandismo e inaugurava o serrismo (modo de dizer que seria fundamental a reciclagem de ideias no PSDB) ou desapareceria. Ele me ligou e disse que era amigo de FHC e jamais romperia com ele. Eu falando de princípios programáticos e ele pensava nas relações pessoais – típicas do compadrio da tradição social e política brasileira mais atrasada.
Até pouco tempo atrás, eram tucanas as melhores cabeças na área de inovação e universidade. Geraldo Alckmin jamais conseguiu aproveitá-las, por não ter visão sobre o tema. Quando Serra entrou, imaginei que faria uma revolução na economia paulista, trazendo as ideias desses quadros. Que nada! Um dia encontrei um dos principais militantes da inovação, serrista de primeira hora. Perguntei: e aí? E ele: não dá, o homem tem raiva da Universidade.
Até 2002, o PT não tinha conseguido se apossar ainda de nenhuma das bandeiras modernizantes. Mas tinha a bandeira mais forte: o aprofundamento das políticas sociais, a reação contra a fome e a miséria, resultantes óbvias do processo de cidadania deflagrado pela Constituinte e da extraordinária insensibilidade social no discurso público de FHC.
Agora se entra em novo tempo político e econômico em que se percebe o desenvolvimento como algo sistêmico. E o PSDB ingressa sem votos, sem quadros e sem a menor condição de ser o receptador das novas ideias: todas ficaram com os governos Lula e Dilma, na passagem do PT de oposição a governo.
Inovação? O Ministério de Ciências e Tecnologia de Sergio Rezende e Aluizio Mercadante levaram os melhores quadros. Gestão? Dilma é a gestora e tem como assessor de luxo Jorge Gerdau. Desenvolvimentismo? Os irmãos Mendonça de Barros tentaram lançar a bandeira, quando montaram sua revista mas não houve nenhuma repercussão nas hostes tucanas. Hoje os desenvolvimentistas estão no governo Dilma.
E Dom Sebastião FHC fala genericamente em conquistar a nova classe média que está se formando. Conquistar como? No gogó?
Essa conquista, a formação de princípios programáticos se dá na prática, na criação de políticas específicas que tragam resultados. É essa soma de ideias, em cada setor, que comporá o desenho final de partido. Não há necessidade de formulações abstratas. O que se exige é clareza sobre algumas ideias básicas, que ajudem e consolidar a percepção geral sobre o partido, mas apenas após aparecerem resultados dessas políticas específicas.
E quais são as ideias-forças atuais? Inclusão social, o sonho do suposto destino manifesto de grande potência, a transição do modelo financista para o desenvolvimentista (sem abrir mão dos benefícios de um mercado de capitais desenvolvido), a integração regional, o aprimoramento da gestão pública.
O PT ampliado  tem as bandeiras, os quadros técnicos, a militância.
E alguém acha que um partido de proveta como o PSD irá conseguir repetir a saga do velho PSDB? E alguém acha que o PSDB atual conseguirá renascer das cinzas em circunstâncias que nada têm mais a ver com as que motivaram sua criação?
No período de abundância o partido não criou quadros, não criou militância, não criou um modo de governar. Era um caciquismo permanente e a arrogância de quem se julgava portador das grandes verdades. Não será agora, dividido, sem ideias, sem militância, que conseguirá.
Como disse José Sarney antes das eleições, a nova oposição sairá das entranhas da situação

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bin Laden e as teorias que envolvem sua morte.

Por Rodrigo Viana

A política é um terreno fértil para teorias conspiratórias. O mesmo vale para a política internacional. Quem nunca ouviu a tese de que o papa João Paulo Primeiro foi assasinado por adversários internos na Igreja? Pura teoria conspiratória, dizem alguns. Quanto a mim, bem… Confesso que as teorias conspiratórias às vezes fazem sentido.
Em 1964, dizia-se que os EUA tinham apoiado diretamente o golpe militar. E que agentes da CIA ajudaram a preparar o terreno para o avanço militar. Conspiração pura? Abertos os arquivos nos EUA, provou-se que a teoria conspiratória estava do lado da verdade: os EUA ajudaram a dar o golpe contra Jango e contra a democracia em 1964.
Agora, na esteira da morte anunciada de Bin Laden, surgem duas novas teorias: uma, defendida pelo garçon do restaurante onde almocei, diz que Bin Laden não morreu. Tudo invenção. “Se morreu, cadê o corpo?” Vários leitores escrevem perguntando o mesmo: “cadê o corpo? Ou a foto do corpo?”. Analistas que ouvi hoje dizem que os EUA estão receosos de mostrar as fotos e acirrar ainda mais os ânimos entre os árabes. O rosto desfigurado de Bin Laden morto viraria emblema na mão dos que pretendem protestar contra os EUA: um símbolo poderoso.
A outra teoria conspiratória é ainda mais curiosa: Bin Laden morreu, sim! Mas não agora: teria morrido em 2001, logo após os atques às torres gêmeas. A notícia foi garimpada por um dos pioneiros do blogueirismo sujo no Rio: Antônio Mello. O texto está aqui. A Fox News é quem diz! Osama morreu há dez anos!
Teria sido empalhado por Bush?
Pode parecer bobagem, certo? A maior potência do Planeta não tentaria enganar o mundo inteiro, fingindo que matou um sujeito já morto… Parece evidente.
Mas Bush, logo após o 11 de setembro, não disse que era preciso invadir o Iraque porque Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, e era um aliado da Al-Qaeda? A informação não tinha pé nem cabeça. Mas a imprensa dos EUA comprou a tese. Saddam foi morto, as armas de destruição em massa nunca foram encontradas. E o Iraque (com todo seu petróleo) hoje é um protetorado dos EUA.
A mentira das armas em destruição em massa ajuda a inocular entre o público planetário a impressão de que há outras mentiras, muitas outras, nessa “guerra contra o terrorismo”.
Nos EUA, o público delira, vai às ruas, comemora de forma constrangedora a ação fora da lei dogoverno de Obama. Sim, fora da lei: afinal, lembremos, comandos dos EUA entraram em ação num país estrangeiro. Por que não podem fazer o mesmo na Venezuela? Na Bolívia? Há muito tempo, os Estados Unidos agem em desacordo com as leis internacionais. A ação no Paquistão – se é que ocorreu como se noticia – foi apenas mais um exemplo. 
Bin Laden era um fora da lei, um assassino. Mas e o governo dos Estados Unidos?

O poder, a morte e o espetáculo.

Por Brizola Neto
O episódio da morte de Osama Bin Laden, depois de 10 anos anulado como chefe minimamente capaz de qualquer estrutura terrorista, cuja a única preocupação era fugir da intensa perseguição que lhe fazia o maior exército e os maiores meios tecnológicos do mundo, tem menos importância na questão do terrorismo do que nos rumos sombrios da ordem internacional vivida hoje pelo mundo.
Não se trata, aqui, de discutir o óbvio, a condenação como crime bárbaro da monstruosa morte de mais de três mil civis no World Trade Center.
A evidência curiosa – e terrível – este episódio é o exercício imperial do poder militar norteamericano de transformar sua vontade em lei e sua capacidade em transformar sua aplicação em espetáculos bélico-midiáticos e…eleitorais.
Em 2003 – ano da véspera de sua reeleição – Bush recuperou o prestígio de sua desastrosa admnistração com a Guerra do Iraque, a partir de março.
Saddam Hussein foi apresentado como um aliado de Bin Laden e um perigo atômico para o mundo. Num discurso so Congresso americano, Bush afirmou:
“Hussein tinha um programa de armas nucleares avançadas, tinha um projeto para uma arma nuclear e estava trabalhando em cinco diferentes métodos de enriquecimento de urânio para uma bomba. O governo britânico descobriu que Saddam Hussein procurou recentemente quantidades significativas de urânio da África. Fontes de inteligência nos dizem que tentou comprar tubos de alumínio de alta resistência apropriado para a produção de armas nucleares. Saddam Hussein não explicou essas atividades, de forma crível. Ele claramente tem muito a esconder.”
O ridículo destas palavras, hoje, é tão evidente que não se pode acreditar que tenham sido a razão de uma invasão avassaladora e de dezenas ou centenas de milhares de mortes.
É igualmente curioso – e terrível – o pronunciamento de ontem de Barack Obama. Teatral do início ao fim – inclusive na saída de costas, caminhando solitário pelo corredor da Casa Branca. O efeito dramático era o objetivo, pouco importando que se fosse anunciar ali a morte de um homem.
De um homem, mas não de uma política belicista. As tropas norte-americanas não estão arrumando suas mochilas para embarcar de volta.
Evidente que foi uma vitória desta política. Mas esta política jamais pode ser vitoriosa, definitivamente, porque violenta o princípio da soberania das nações.
O mundo saudou a eleição de Barack Obama como uma esperança do fim da violência e da guerra como formas de resolver os problemas do mundo e as relações entre os países.
O Barack Obama que não pôde desmontar a prisão de Guantánamo com que Bush sujou a imagem de liverdade, lei e democracia que os americanos dizem lhes ser sagradas, conseguiu algo mais complexo: a morte do homem que ridicularizou a capacidade bélica do governo de seu antecessor, cuja afirmação custou muito mais vidas – inclusive de americanos – que o atentado das Torres Gêmeas.
Vamos viver um dia – ou alguns dias – mergulhados num espetáculo mórbido. “Como foi, quantos tiros, o corpo foi jogado ao mar ou não (chega a ser irônico que digam que iso teria sido feito para respeitar a li islâmica), se era ou não era ele”, os festejos semelhantes ao de um jogo de futebol vencido, são os temas que vão estar exaustivamente debatidos sobre o cadáver de Bin Laden.
Mas o essencial nada tem a ver com isso.
O que significou, em 2004, um triunfo para os republicanos de Bush vai significar, provavelmente, também uma vitória eleitoral para os democratas de Obama.
E, em qualquer caso, uma derrota para uma ordem internacional onde não haja mais uma “polícia do mundo” e, em seu lugar, floresçam povos livres. Livres, inclusive, dos ódios que levaram à tragédia do World Trade Center.