terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A riqueza abstrata

O consumismo é apresentado como um vício moral originário da tentação que expulsou Adão e Eva do Paraíso. Mas essa patranha moralista e inconsequente esconde a deformação do desejo promovida por um sistema social e econômico que se encarrega de “criar” necessidades e de ajustá-las ao impulso incontrolável de ampliar o espaço em que se realiza o desejo maior, a acumulação de riqueza abstrata.


(Luix Gonzaga Belluzzo)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Petrobrás?

Açúcar ou Etanol?
Açúcar.
Menos OFERTA de Etanol. Aumento de preço.
Etanol ou Gasolina?
Gasolina.
Aumento de DEMANDA. Petrobrás importa barris pra suprir esse aumento.
Cotação la fora maior que o preço praticado internamente pela Petrobrás.
Governo não deixa aumentar a Gasolina NA REFINARIA.
A Petrobrás fica ainda mais vulnerável ao câmbio e as instabilidades no mundo Árabe (que afeta diretamente a cotação do petroleo).
Absorve esses custos e prejuizos.
O que afeta seus resultados.
Os especuladores abandonam o barco (ações) e…………
FONTE: PIMON

Mascara de folha de flandres


"A liberdade não significava a melhoria de vida. No cativeiro, a posse e a manutenção dos escravos era regulada com algum rigor pela legislação vigente. Seus donos tinham a obrigação de alimentá-los, dar-lhes moradia e assistência minima para garantir a sua sobrevivência. A lei previa que, em caso de maus-tratos comprovados, o senhor do escravo poderia perder sua propriedade, o que representava prejuízo financeiro. Livres, no entanto, os negros forros ( escravos libertos por alforria) ficavam entregues à própria sorte, marginalizados por completo de qualquer sistema de proteção legal e social. Em muitos casos, a liberdade era um mergulho no oceano de pobreza composto por negros libertos, mulatos e mestiços, à margem de todas as oportunidades, incluindo educação, saúde, moradia e segurança - UM PROBLEMA QUE, 120 ANOS DEPOIS DA ABOLIÇÃO OFICIAL DA ESCRAVIDÃO, O BRASIL AINDA NÃO CONSEGUIU RESOLVER."

(Laurentino Gomes - Trecho do livro "1808")

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O insustentável preconceito do ser


Por Rosana Jatobá
Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.
Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:
- Recomendo um passeio pelo nosso “Central Park”, disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!
-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.
-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.
-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?
-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem “farofa” no parque.
-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.
-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar….
De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.
Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os “Paraíba”, que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a “Cabeça chata”, outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.
Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.
Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:
-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:
O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, quero o teu amor”.
“É ofensivo”, diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.
A expressão “pé na cozinha”, para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.
O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:
Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra “niger”para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:
“Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe”…que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).
Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan “black is beautiful”. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém.
Será que na era Obama vão inventar “Pé na Presidência”, para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?
A origem social é outro fator que gera comentários tidos como “inofensivos”, mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que  picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:
- A minha “criadagem” não entra pelo elevador social !
E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, “viado”, maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?
Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:
- Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:
-Só podia ser loira!
Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:
- Só podia ser judeu!
A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia …
Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: “O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem”.
Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.
A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável.
O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.
Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:
-Só podia ser mendigo!
No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:
-Só podia ser bandido!
Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.

domingo, 29 de janeiro de 2012

"Não os perdoem, eles sabem o que fazem"

Por Gerivaldo Neiva (Juiz de Direito do estado da Bahia)




Não os perdoem: eles sabem o que fazem!

Para o governador, a culpa é da Justiça.

Para toda imprensa, a Justiça determinou, mandou, decidiu, despejou...

Para o Juiz que assinou a ordem, cumpriu-se a Lei e basta: Dura lex sede lex!

Para catedráticos cheirando a mofo, o Estado de Direito triunfou!

Para o Coronel que comandou, ordens são ordens!

Para o soldado que marchou sobre os iguais, idem!

Ei, Justiça, cadê você que não responde e aceita impassível tantos absurdos?

Não percebes o que estão fazendo com teu nome santo?

Em teu nome, atiram, ferem, tiram a casa e roubam os sonhos e nada dizes?

Tira esta venda, vai!

Veja o que estão fazendo em teu nome! Revolte-se!

E o pior dos absurdos: estão dizendo teus os atos do Juiz e do Poder que ele representa!

Vais continuar impassível?

E mais absurdos: estão te transformando em merdas de leis.

Acorda, vai!

Chama o povo, chama o Direito das ruas e todos os oprimidos do mundo e brada bem alto:

- Não blasfemem mais com meu nome! Não sou o arbítrio e nem a ganância! Não sou violenta, nem cínica e nem hipócrita! Não sou o poder, nem leis, nem sentenças e nem acórdãos de merda!

Diz mais, vai! Brada mais alto ainda:

- Eu sou o sonho, sou a utopia, sou o justo, sou a força que alimenta a vida, sou pão, sou emprego, sou moradia digna, sou educação de qualidade, sou saúde para todos, sou meio ambiente equilibrado, sou cultura, sou alegria, sou prazer, sou liberdade, sou a esperança de uma sociedade livre, justa e solidária e de uma nação fundada na cidadania e dignidade da pessoa humana.

Diz mais, vai! Conforta-nos:

- Creiam em mim. Um dia ainda estaremos juntos. Deixarei de ser o horizonte inatingível para reinar no meio de vós! Creiam em mim. Apesar da lei, do Poder Judiciário e das sentenças dos juízes, creiam em mim e não perdoem jamais os que matam e roubam os sonhos em meu nome, pois eles sabem o que fazem!

Responsabilidade social e coletiva.

Por Assis Ribeiro


Não pode haver liberdade, como muitos evocam, se a individualidade ferir o coletivo.
A sociedade moderna tem uma intensa dificuldade em entender esse conceito.
Possivemente pela influência cristã e pela influência da ciência.
Pela cristã o conceito arraigado de "pecado", pela ciência o modelo atomista, das coisas separadas, individualizadas.
Pelos dois lados, pensamos que a liberdade e responsabilidade são conceitos apenas individual.
Daí a sobreposição dos direitos individuais aos coletivos. A sociedade dita "moderna" prioriza o individual ao coletivo.
No Brasil essa situação é agravada pelo ranço da "casa grande e senzala", onde o indivíduo "senhor" mandava na sua coletividade com o pensamento claro de que escravos eram objetos. Isso ainda ocorre nos tempos atuais onde o rico acredita que tenha mais direitos do que os outros. "Você sabe com quem está falando?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Belo Monte e Pinheirinho

Não porque não sejam dignas de consideração as opiniões de quem, por má informação ou, até, uma interpretação, a meu ver, equivocada do projeto se opõem a ele.


(Mas)


Não se viu um movimento assim, com tantos globais por ele se expondo, em favor dos miseráveis do Pinheirinho, gritando por dignidade humana para eles.


(Fernando Brito)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Brado Retumbante e BBB. O Brasil, na Globo



Por Paulo Henrique Amorim


Sobre o BBB, o melhor depoimento é o do pai da Monique.

Ele entendeu tudo.

Especialmente a visão do Brasil, pela Globo.

Com menos audiência e mais pretensão, a mini-série “O Brado Retumbante” reflete com mais nitidez a visão do Brasil, pela Globo.

O que a Globo pensa da política e do que esperar do Brasil (com a Globo, no meio, no papel principal).

“O Brado Retumbante” parecia uma tentativa de exibir o Aécio Never.

Depois ficou claro que a biografia do herói, Paulo Ventura, o presidente bonzinho, bem intencionado, se confundia em muitos pontos com a de Protógenes Queiroz.

O que interessa, porém, é “a mensagem”, “a moral da fábula”.

No BBB, a moral é aquela: a safadeza edredônica do Edu.

O que esperar de jovens embriagados numa situação em que há mais “jornalistas” do que que camas para dormir ?

No “Brado Retumbante”- a alusão suspeita ao Hino Nacional – também tem muito sociólogo para poucas camas.

O Brasil é um esculacho, uma esculhambação.

Um BBB.

Senão, amigo navegante, acompanhe a edificante entrevista que o Euclydes Marinho, o autor da trama, concedeu a uma das colonas (*) sociais (que no resto do mundo acabaram há um século) do PiG (**), na página D2 do Estadão:

O Brasil tem jeito ?

Depende de pessoas como Paulo Ventura (ou seja, se a Globo e seus heróis salvarem o Brasil – PHA). O Brasil tem jeito, mas é difícil, porque a cultura da esculhambação, de meter a mão, é cada vez maior (só se for na Globo – PHA). É muito dificil (Claro, o Bernardo não trabalha – PHA)…


Qual é o seu brado retumbante ?

Cheeeeeeeeega! Você não acha ? Basta, já deu. Vamos partir para outra, vamos tentar uma vida melhor, um país melhor. (Qual ? A Argentina, onde a Globo não tem o direito de fazer o que quer ? – PHA) Chega de tanta esculhambação.


Conversa Afiada concorda, porém, num ponto.

É a favor de haver tantas camas quantos “jornalistas” na casa.

O ideólogo da Globo diz esse conjunto de parvoices na mesma semana em que 60% dos brasileiros consideram que sua Presidenta se desempenha de forma “ótima”ou “boa”.

Não tem ninguém com a ideia de ir tentar a vida “num país melhor “.

Só se for na Argentina.

A Globo não tem a menor ideia do que se passa no Brasil.

Está trancada dentro de si mesma, na casa. 

Uma aula de matemática financeira

Por Pimon


CHUVA FECHA AV. 23 DE MAIO EM SP; HÁ REGIÕES SEM LUZ.

Olha, não sei qual é a tua PRAIA.
Da minha, conheço alguma coisa.
Ao negociar uma empresa o vendedor deve calcular o preço justo a ser pedido ao mercado, que é tudo, menos burro.
Em geral, já que a coisa é complexa, uma empresa é negociada por 10/12 vezes seu valor, sua taxa de retorno.
Quando você coloca 100 reais num CDB, os caras te pagam uns juros reais de 4% ao ano.
Exclusive FHC, que chegou a pagar mais de 30% em juros reais e legou uma dívida…. bem grande.
Nenhum banco te paga 100% reais ao ano!!!
O que o Alckmin fez com a Cteep, a empresa que distribui a energia elétrica em SP, um enorme mercado cativo?
Vendeu-a (pelo social) por 1,5 bilhão de reais.
A compradora, de tão ínfima, buscou dinheiro nos bancos desesperadamente para fazer frente ao que acabara de adquirir.
Empresa colombiana, as nacionais, estatais, eram proibidas de participar do leilão “público”.
1, 5 bilhão…. puxa.. muito dinheiro!!!
Pra mim, procê, é!
Para uma empresa, depende!
Qual a T.I.R.(Taxa Interna de Retorno), em quantos anos a “bela” e pequenita colombiana pagaria sua enorme aquisição? 10 anos… 12????
01 (hum) ano!!!!
Ela pagou a “compra” da Cteep em 01 ano, seu lucro após a “privatização”, foi de 1,5 bilhões de reais!!! Que competência!!!!
Escândalo?
Não acabei, moço/a.
Os terrenos, antigos, pertencentes a Cteep, foram avaliados em … 1,5 bilhão de reais.
Ou seja, você acredita que a Cteep tenha sido vendida, de fato?
Se acreditas, dê a mão ao Suplicy e …. confie no Alckmin…
Eu, por motivos profissionais, não posso CRER!
Foge à minha realidade, nunca vi nada =!
Vi, sim….. Vale, Light, CSN…. e outras.
Mas vamos ficar apenas com a Cteep, ela é bastante!
PS: SP tá sem luz…. fatalidade!!!!