terça-feira, 15 de maio de 2012

Lucy in the Sky


por Rodrigo Vianna

A revista “Veja”, antes da curiosa parceria com o bicheiro Cachoeira, era conhecida pela criatividade. Não deixa de ser uma boa qualidade no jornalismo: textos, títulos, ilustrações criativas são sempre benvindos. Desde que se baseiem em fatos.

Fatos não são o forte de “Veja”: dólares para o PT trazidos em caixas de whisky (que ninguém nunca viu), contas no exterior de gente ligada ao lulismo (jamais  encontradas, mas noticiadas como verdadeiras), queda de Hugo Chavez em 2002 (comemorada antes da hora,  com uma capa vergonhosa), grampo sem áudio (hoje, graças a outros grampos com áudio do esquema cachoeira, sabe-se porque o grampo sem áudio virou notícia na “Veja”)…

A lista é enorme, e não se restringe à política.  A “Veja” é crédula. Acreditou no Boimate (o episódio, ridículo, foi estrelado por um rapaz chamado Eurípedes Alcântara, então editor de “Ciência” da revista), uma brincadeira de primeiro de Abril de uma agência internacional. Por conta de tanta credulidade, a revista noticiou como verdadeio o cruzamento de boi com tomate. Genial. Tão genial que o rapaz depois viraria diretor de redação da revista.

A “Veja” – é bom lembrar – acredita em recomendar remédios (milagrosos) para emagrecer, na capa. De forma irresponsável. O remédio na verdade serve para diabetes, e sumiu das prateleiras. Uma história até hoje mal explicada.

A revista mais vendida do país, com pouco apego aos fatos, tornou-se também sisuda, malcriada, irascível. O fígado dos Civita e de seus rapazes deve doer demais. Eles deveriam relaxar um pouco.  Na última edição até que tentaram. Para responder às críticas avassaladoras contra a estranha parceria Abril-Cachoeira - que levaram “Veja”, 4 semanas seguidas,  para os “TTs” no twitter – os editores decidiram atacar. Acusaram o PT (Globo e Veja são os únicos órgaõs de comunicação do país, na companhia do Professor Hariovaldo, que acreditam piamente na existência dos “radicais do PT”) de comandar uma campanha orquestrada no twitter.

O malvado Rui Falcão (presidente do PT) teria chefiado tudo. Utilizando, vejam só, perfis falsos no twitter. Ou seja: os radicais lulopetistas utilizaram “robots” para atacar a revista dos homens bons da pátria. A “Veja” faz bem em gritar. Radicais! Mosquitos stalinistas! Formigas esquerdistas! Quem sabe esses gritos diminuam o ruído da cachoeira… Um dos “robots” lulopetistas a “Veja” decidiu nomear: tem o nome sugestivo de @Lucy_in_Sky_.
Pois bem. O twitteiro @página2 decidiu fazer o que Veja não gosta de fazer: checar informações. Descobriu que @Lucy_in_Sky_ existe sim! A entrevista da twitteira – que existe, contra a vontade da revista – pode ser lida aqui, no blog do Eduardo Guimarães.

O resumo de tudo isso é o seguinte: “Veja” dá destaque – de forma criativa – a fatos que jamais existiram. Em contrapartida, agora acusa (!?) de não existir pessoas que de fato existem!

Engraçadíssima a “Veja”. Deixou-se embalar pelo jornalismo lisérgico.  Cachoeira já sabia: esses rapazes da marginal estão à frente de seu próprio tempo. Brigar com as redes sociais é, de fato, atitude muito inteligente!

Incitar não é desacatar

“Antes de mais nada, somos todos Eliana Silva, certo? Levanta o seu dedo do meio para a polícia que desocupa as famílias mais humildes, levanta o seu dedo do meio para os políticos que não respeitam a população e vem com ‘noiz’ nessa aqui, ó. Mandando todos eles se fuder, certo, BH? A rua é noiz.”


O trecho transcrito acima foi bradado pelo rapper Emicida num show em Belo Horizonte.


Ao termino do show o cantor foi conduzido ao 39º Distrito Policial sob a alegação do crime de desacato.


O art. 331 do código penal prevê ato criminoso "desacatar um funcionário público em exercício da sua função ou em razão dela".


Emicida, no caso, se dirigia ao seu público e não aos policiais ali presente o que, possivelmente, desconfigura o ato criminoso.


A liberdade de expressão é um direito constitucional.





Porém, no mesmo código penal Brasileiro, há o art. 286 que contém o seguinte texto


Incitar, publicamente, a prática de crime
Pena: de 3 a 6 meses de reclusão ou multa.


Por mais que o rapper não se referisse aos policiais específicos ali presente, incitar o público a "levantar o dedo do meio" à policia e "mandar todos eles se 'fuder'" configura a incitação a prática de crime.


Sem dúvida, como eu disse acima, a liberdade de expressão é um direito garantido pela constituição que nos rege, mas, somos responsáveis e devemos sim responder por aquilo que fazemos e dizemos. 


Emicida foi infeliz.


O respeito, a aplicação e execução da lei é fundamental para que se mantenha a ordem e seja preservado o direito cível social. Vivemos num país democrático de direito, mas também é fato que, em nosso país, infelizmente, a justiça só se faz valer seletivamente. 



A bomba relógio


A Grécia informou nesta terça-feira que vai realizar novas eleições depois que várias tentativas dos líderes políticos para entrar em acordo para formar um governo de coalizão fracassaram. Não foi informada uma data para as eleições, mas as regras eleitorais indicam que a votação será no meio de junho.
Após a notícia, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse que é importante estar tecnicamente preparado para a possibilidade de a Grécia deixar a zona do euro, alertando que essa saída, no entanto, geraria "muita bagunça".
A chanceler alemã, Angela Merkel, ainda tentou amenizar as preocupações ao dizer nesta terça-feira, após conversar com o novo presidente francês, François Hollande, que os dois líderes querem que a Grécia permaneça na zona do euro e irão trabalhar juntos para ajudar o país.
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A saída para a Grécia é a sair do Euro.
Postergar o inevitável (moratória) é gostar de sofrer.
Sofre seu povo que não quer mais ser a mão de obra pra enriquecer Merkel e os seus.
Não há mais fios pra cortar. A contagem regressiva não cessará.
O "bummmm" está próximo.


Os milhões de minoritários da Petrobrás

BRASÍLIA, 15 Mai (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira ao chegar no Ministério da Fazenda em Brasília que não haverá aumento nos preços da gasolina.


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Com certeza não vai.


Dólar em alta.


Bom para os sócios da estatal.


Os Brasileiros.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Verdades sobre a Belo Monte

Belo Monte da GLOBO.





Alguns esclarecimentos:


“A usina de Belo Monte vai alagar, inundar, destruir 640 quilômetros quadrados da Floresta Amazônica”.


A Floresta Amazônica possui, no total, 5.500.000 Km² onde 3.300.000 Km² são território brasileiro. 640 Km² nada mais é que 0,012% da Floresta, UM NADA em termos proporcionais.


"Pra onde vão ser levados os ribeirinhos e os índios?"

Aí onde mora uma das falácias do vídeo. Nenhum índio será desalojado. Alguns Ribeirinhos sim, aproximadamente entre 20 a 40 mil pessoas serão remanejadas. Porém os impactos socioeconômicos os beneficiarão com o aumento da atividade econômica e geração de empregos na região. 

"Do que adianta construir a 3º maior hidroelétrica do mundo se ela só vai produzir, de fato, 1/3 da sua capacidade?"

Belo monte usará o sistema fio d'agua  e não terá reservatório (adequação do projeto inicial para reduzir os impactos ambientais) o que fará com que a usina produza, depois de pronta, 11.233 MW (potência máxima) no período chuvoso e 690 MW na época de seca o que corresponde a 4.571 MW média/ano, ou 40% de sua capacidade máxima.

E a melhor do vídeo:

“De onde tiraram essa idéia de que hidrelétrica é energia limpa?” 

“Seria energia limpa se fosse no deserto, mas na floresta?”

(Essa vou deixar a resposta por Reinaldo Azevedo - "jornalista" que abomino por seu jeito chulo e esdruxulo e divergências políticas, mas, que nesse caso cabe seu comentário:)

Heeeinnn??? Quer dizer que energia hidrelétrica só seria limpa se fosse produzida no deserto? Fico aqui a imaginar um rio Xingu ou o Amazonas cortando o Saara.


Belo Monte SEM a GLOBO.











terça-feira, 8 de maio de 2012

PHA: Globo sai da caverna





Por Paulo Henrique Amorim


A Globo mantém a liderança na batalha para tirar Robert(o) Civita da forca.

Primeiro foi o Merval Imortal.

Depois, a Urubóloga.

Agora, é o patrão.

Na pág. 6 da edição impressa, o Globo desta terça-feira publica furibundo editorial com o título“Roberto Civita não é Rupert Murdoch”.

(É pior !)

É claro que os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – denunciam uma “tentativa de atemorizar a imprensa”.

É o mesmo argumento contra a Ley de Medios: é uma “tentativa de amordaçar” o direito de Robert(o) Civita e o Globo derrubarem governos trabalhistas.

É o que eles chamam de “liberdade de imprensa”.

Servir invariavelmente à Casa Grande, como diz o Mino Carta.

A certa altura, os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – acusam “blogs, veículos de imprensa de chapa branca” e “reportagens de tv”.

Isso deve ser com a TV Record, que melou o mensalão e mostrou os áudios das edificantes conversas do Carlinhos Cachoeira com a Veja, munida de sua liberdade de imprimir.

Deve ser também com a turma dos blogs sujos do Barão de Itararé.

Eles se reunem em Salvador, agora, no dia 25, para celebrar seu III Vitorioso Encontro, inflamados por duas frases sugeridas pelo Ministro Ayres Britto (aquele que abriu a janela do STF para entrar o sol, depois de seis anos de sombras), fixadas em banners iluminados:

“A liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade”, de Ayres Britto.

E “o excesso de liberdade se cura com mais liberdade”, de Tocqueville.

(Clique aqui para ler “Barão de Itararé convida Ayres Britto para encontro de blogs sujíssimos”.)

Sobre o veículo “de imprensa chapa-branca” … isso deve ser com o Mino. 

Compreende-se o desespero dos filhos do Roberto Marinho.

A Globo e a Veja são a corda e a caçamba.

Sem a Globo, a Veja não ia mais a lugar nenhum.

Não passaria de uma revisteca provinciana à beira da extinção e que, mal e mal, sustenta uma editora mais combalida, ainda.  

A Globo é o balão de oxigênio do Robert(o) Civita.

Por que ?

Porque a Globo pega o detrito sólido de maré baixa da Veja, extraído de duzentos telefonemas ao Carlinhos Cachoeira, e transforma em Chanel #5.

É crime, sim.

O Robert(o) Civita é pior que o Rupert.

Porque a televisão do Rupert (na Inglaterra) não tem o alcance que a Globo tem no Brasil.

E na Inglaterra uma TV não ousaria fazer o que a Globo faz aqui: sistematicamente tentar derrubar os presidentes e governadores trabalhistas.

O jornal nacional criou agora uma seção fixa que se chama “o Brasil é uma m…”.

Nesta segunda-feira, descobriu uma cidade de mil habitantes no interior do Maranhão que tem uma estação rodoviária, mas não tem ônibus.

Culpa do Lula e da Dilma !

A Globo é a próxima na fila.

E essa fila anda.

O Brasil tem um encontro marcado com os filhos do Roberto Marinho, aquele que simulou um atentado para fingir que era vítima e, não, cúmplice do regime militar.

O regime militar acabou.

E os filhos do Roberto Marinho, mesmo com a ajuda do Miro, não são o Roberto Marinho.

Como o Robert(o) Murdoch não é o “seu” Vitor Civita.

Que não ia entregar o patrimônio nas mãos de um Policarpo.

A batata da Globo também assa.

A Ley de Medios vem aí assim como o fim da Lei da Anistia.

Porque, hoje, no Brasil, ficou mais fácil identificar bandido.

Por causa dos blogs sujos.

E do Mino.

E jornalista bandido bandido é.

Não era.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Trevas ao meio dia



Por que a mídia nativa fecha-se em copas diante das relações entre Carlinhos Cachoeira e a revista Veja? O que a induz ao silêncio? O espírito de corpo? Não é o que acontece nos países onde o jornalismo não se confunde com o poder e em vez de servir a este serve ao seu público. Ali os órgãos midiáticos estão atentos aos deslizes deste ou daquele entre seus pares e não hesitam em denunciar a traição aos valores indispensáveis à prática do jornalismo.

Trata-se de combater o mal para preservar a saúde de todos. Ou seja, a dignidade da profissão.

O Reino Unido é excelente e atualíssimo exemplo. Estabelecida com absoluta nitidez a diferença entre o sensacionalismo desvairado dos tabloides e o arraigado senso de responsabilidade da mídia tradicional, foi esta que precipitou a CPI habilitada a demolir o castelo britânico de Rupert Murdoch. Isto é, a revelar o comportamento da tropa murdoquiana com o mesmo empenho investigativo reservado à elucidação de qualquer gênero de crime.

Não pode haver condão para figuras da laia do magnata midiático australiano e ele está sujeito à expulsão da ilha para o seu bunker nova-iorquino, declarado incapaz de gerir sua empresa.

O Brasil não é o Reino Unido, a gente sabe. A mídia britânica, aberta em leque, representa todas as correntes de pensamento. Aqui, terra dos herdeiros da casa-grande e da senzala, padecemos a presença maciça da mídia do pensamento único.

Na hora em que vislumbram a chance, por mais remota, de algum risco, os senhores da casa-grande unem-se na mesma margem, de sorte a manter seu reduto intocado. Nada de mudanças, e que o deus da marcha da família nos abençoe. A corporação é o próprio poder, de sorte a entender liberdade de imprensa como a sua liberdade de divulgar o que bem lhe aprouver. A distorcer, a inventar, a omitir, a mentir. Neste enredo vale acentuar o desempenho da revista Veja. De puríssima marca murdoquiana.

Não que os demais não mandem às favas os princípios mais elementares do jornalismo quando lhes convém. Neste momento, haja vista, omitem a parceria Cachoeira-Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília e autor de algumas das mais fantasmagóricas páginas da semanal da Editora Abril, inspiradas e adubadas pelo criminoso, quando não se entregam a alguma pena inspirada à tarefa de tomar-lhe as dores. Veja, entretanto, superou-se em uma série de situações que, em matéria de jornalismo onírico, bateram todos os recordes nacionais e levariam o espelho de Murdoch a murmurar a possibilidade da existência de alguém tão inclinado à mazela quanto ele. E até mais inclinado, quem sabe.

O jornalismo brasileiro sempre serviu à casa-grande, mesmo porque seus donos moravam e moram nela. Roberto Civita, patrão abriliano, é relativamente novo na corporação. Sua editora, fundada pelo pai Victor, nasceu em 1951 e Veja foi lançada em setembro de 1968. De todo modo, a se considerarem suas intermináveis certezas, trata-se de alguém que não se percebe como intruso, e sim como mestre desbravador, divisor de águas, pastor da grei. O sábio que ilumina o caminho. Roberto Civita não se permite dúvidas, mas um companheiro meu na Veja censurada pela ditadura o definia como inventor da lâmpada Skuromatic, aquela que produz a treva ao meio-dia.

Indiscutível é que a Veja tem assumido a dianteira na arte de ignorar princípios. A revista exibe um currículo excepcional neste campo e cabe perguntar qual seria seu momento mais torpe. Talvez aquele em que divulgou uma lista de figurões encabeçada pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apontados como donos de contas em paraísos fiscais.

Lista fornecida pelo banqueiro Daniel Dantas, especialista no assunto, conforme informação divulgada pela própria Veja. O orelhudo logo desmentiu a revista, a qual, em revide, relatou seus contatos com DD, sem deixar de declinar-lhes hora e local. A questão, como era previsível, dissolveu-se no ar do trópico. Miúda observação: Dantas conta entre seus advogados, ou contou, com Luiz Eduardo Greenhalgh e Márcio Thomaz Bastos, e este é agora defensor de Cachoeira. É o caso de dizer que nenhuma bala seria perdida?

Sim, sim, mesmo os mais eminentes criminosos merecem defesa em juízo, assim como se admite que jornalistas conversem com contraventores. Tudo depende do uso das informações recebidas. Inaceitável é o conluio. A societas sceleris. A bandidagem em comum.

A velha cultura subserviente ainda persiste, mas só na cabeça dos tolos


Dilma e o porrete americano

Por PAULO MOREIRA LEITE

É possível que nem todos os leitores já tenham percebido mas a pauta principal dos repórteres que cobrem uma viagem presidencial ao exterior consiste em procurar gafes de nossos chefes de Estado.
A ideia é que os assuntos sérios e graves são uma chatice que não interessa a ninguém – visão que nem sempre é verdadeira mas tem sua base na realidade – e que as gafes são assunto com leitura garantida.
É assim desde os tempos da ditadura militar. Naquele tempo as gafes eram até uma forma de publicar uma notícia negativa sobre um regime que governava com apoio da censura prévia.
Os arroubos de vaidade da primeira-dama Dulce Figueiredo eram um prato tão saboroso que, num esforço para evitar notícias constrangedoras, o SNI cassou o passaporte do cabeleireiro que costumava acompanhá-la em viagens, alimentando os jornalistas de fofocas e episódios divertidos, além de dar um aspecto fútil às visitas.
A pauta prosseguiu nos governos civis e é possível que nenhum presidente tenha sido tratado com tantas ironias como José Sarney, que, com certo pedantismo, costumava ser ironizado por causa de seu portunhol.
No início, o monoglota Lula sofreu com comparações negativas, que procuravam exaltar o poliglota FHC. Depois se viu que mesmo em português Lula conseguia um respeito que nenhum antecessor obteve antes dele.
E Dilma?
Dilma fez uma viagem aos EUA onde não ocorreu nenhuma gafe. Isso explica a pouca atenção que recebeu por parte da maioria de nossos jornais e revistas.
É um erro, já que a visita teve pelo menos um aspecto importante. A presidente tomou iniciativas importantíssimas na área de educação, dando sequência a seu projeto de enviar milhares de estudantes para cursos de pós-graduação nas melhores universidades do planeta.
Mas foi uma viagem morna, que reflete uma realidade que nossos observadores não querem ou não conseguem admitir.
“Todo mundo queria ver Dilma menos Barack Obama,” escreveu o jornalista Jason Farago, correspondente do Guardian na capital americana, num comentário que até hoje repercute na internet.
A tese de Farago é que a viagem serviu para mostrar um vazio da diplomacia americana, que não estava preparada para a emergência de um país que já não se comporta como uma nação subalterna quando tem assuntos a tratar com Washington.
Num esforço para avaliar a visita por um ângulo menos banal, Farago descreve o esforço de várias autoridades americanas para ouvir a presidente, conhecer suas ideias e ter notícias do Brasil.
São sinais de uma nova realidade mundial, escreve, lembrando já se tornou até ridículo falar em países emergentes, considerando que são nações que já emergiram – enquanto as velhas potências ameaçam submergir em sua própria crise.
Avaliando o comportamento de Obama, Farago lembra que há um descompasso entre a realidade do mundo de 2012 e a doutrina imperial americana, que pregava que a América era um quintal dos Estados Unidos, noção que, com poucas nuances, até hoje alimenta a diplomacia de Washington.
“Nós fazíamos o que queríamos e dizíamos aos outros para não se intrometerem. A ideia de que um país latino-americano poderia servir de modelo está além de nossa compreensão. Agora, pela primeira vez, uma segunda grande potência está crescendo no pedaço, mas entre nós, gringos, os velhos hábitos do grande porrete custam a morrer.”
A conclusão não poderia ser mais realista: a grande lição da viagem de Dilma foi mostrar incapacidade do governo americano estabelecer uma política externa de acordo com os tempos atuais.
O comentário de Farago tem um mérito adicional. A postura de muitos analistas diplomáticos brasileiros é tão subordinada aos Estados Unidos que eles não conseguem sequer admitir que Washington possa cometer erros em suas análises e desvios de conduta. Se a viagem foi morna, a culpa é do governo brasileiro. Se foi uma tragédia, mais ainda.
São visões que  continuam celebrando os compromissos democráticos dos EUA embora eles tenham patrocinado o grande ciclo de ditaduras militares do continente dos anos 60 a 80. Gostam de elogiar a postura pelo livre comércio sem levar em conta que a economia americana se apóia num protecionismo amplo e vigoroso, dirigido em importações que podem concorrer com seus produtores internos. Nem o bloqueio a Cuba é condenado com a devida veemência. Não se perde uma única oportunidade para cobrar o velho alinhamento automático, sempre que surge algum arranhão no continente.
A partir de eufemismos como “investidores externos,” “imagem no exterior” e outros, as referência dessas análises é sempre uma pergunta: como os EUA vão reagir? Vamos sofrer retaliações?
Sempre que há um desentendimento entre as partes, ou mesmo um conflito, a opinião nunca se modifica. A razão está sempre do lado de lá da fronteira.
Como Obama, muitos observadores não conseguem enxergar uma mudança na realidade.
É por isso que passaram os primeiros meses do governo Dilma anunciando uma grande modificação em nossa política externa. Achavam que ela viria a partir de uma postura menos nacionalista da presidente.
A tese é que, livre do sapo barbudo e de seu ministro Celso Amorim, o  Itamaraty iria reconstruir a velha e boa amizade preferencial americana, de acordo com a máxima deixada por um dos civis do regime militar: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.”
A viagem de Dilma mostrou que Obama não tem o que oferecer, não pensou nisso e não consegue entender que isso é necessário.
Na mentalidade do porrete, do outro lado da mesma só pode sentar-se um vira-lata.
Concorda?

A essencial preparação do terreno e o sucesso


Com guerra contra os juros, Dilma busca nova marca para mandato


Por Ana Flor
A decisão do governo de forçar a queda nas taxas de juros no país -contexto no qual se insere o anúncio na mudança dos rendimentos da caderneta de poupança na quinta-feira- faz parte de uma estratégia política para criar uma nova marca da gestão da presidente Dilma Rousseff no campo econômico.
Segundo fontes do governo, o alvo dos juros bancários, tema de grande apelo entre a classe média, passou a ser considerado na medida em que a meta de crescimento de 5 por cento em 2012 ficou cada vez mais distante.
Além disso, no Planalto os bancos passaram a ser vistos como instituições que pouco colaboraram para a queda dos juros implantada pelo Banco Central desde agosto.
"É uma briga que a presidente achou por bem comprar, porque traria benefícios ao país no longo prazo", disse à Reuters uma das fontes.
Assessores do governo buscavam uma nova marca para a gestão Dilma desde o final do ano passado. O Brasil Sem Miséria, símbolo inicial e que, segundo assessores não será abandonado, atingiu pouco a classe média e ainda trazia a forte memória do governo Lula e o Bolsa Família.
No início do ano, a presidente discutiu com seus conselheiros dar maior status para a área de tecnologia e inovação, fazendo do programa Ciência Sem Fronteiras, que levará 100 mil estudantes ao exterior, uma marca do segundo ano de mandato, revelou um assessor.
Mas, além do alcance limitado do programa, pesquisas mostravam que está na economia o fator preponderante para o bem-estar da população e onde está calcada a aprovação recorde do governo, que bateu em 64 por cento em abril, segundo pesquisa Datafolha.
Lula esteve entre os entusiastas da ideia de o governo usar seu capital político e alta aprovação para promover uma mudança estrutural na economia que abrisse espaço para os juros caírem --permitindo que Dilma cumprisse promessa de campanha feita no início de 2010, quando disse que gostaria de baixar a taxa real de juros básica para "perto de 3 por cento, mas sem fazer mágica".
A equipe da presidente tem explorado uma faceta revelada ainda na campanha presidencial, quando pesquisas identificaram que eleitores viam em Dilma uma mulher ousada e corajosa.
Os bons resultados da imagem da presidente que "faxina" colaboradores envolvidos em denúncias, ou que não negocia no "toma lá, dá cá" do Congresso, deram o aval para que novas medidas de risco, como a mudança na poupança, entrassem nos planos.
A nova medida fez com que Dilma acabasse por modificar regras que seu antecessor desejou mexer, no final de governo, mas desistiu por achar o custo político muito alto.
Em 2009, já com Guido Mantega na Fazenda, Lula planejou enviar ao Congresso um projeto que taxava depósitos acima de 50 mil reais com Imposto de Renda. Desistiu, entre outros motivos, para garantir a eleição de Dilma.
Desta vez, a avaliação foi de que valia a pena pagar os custos políticos ou eleitorais de uma medida à primeira vista impopular.
Mas o governo tomou mais precauções do que de costume. O núcleo econômico fechou a proposta, mas fez o anúncio a partir de encontros em que ouviu políticos, empresários e sindicalistas, além da imprensa.
Viu-se, nos últimos dois dias, a presidente tomar mais cuidados do que costuma ter ao escolher seus ministros, trocar líderes ou diretores de estatais: consultou integrantes de governo, chamou líderes aliados, fez um agrado aos sindicatos indicando Brizola Neto como ministro do Trabalho e buscou apoio do empresariado, historicamente crítico dos juros altos.
O ministro da Fazenda trabalhou em outra trincheira: chamou um número pequeno de jornalistas para explicar as medidas, em sinal de que o governo queria evitar a repercussão negativa ou "desinformada", como classificou outra fonte do governo.